terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ele poderia...

Ele acorda no meio da noite com o barulho dos carros lá embaixo, alguns andares abaixo de seus pés, numa rua que não é a sua. Se levanta e vai até a janela, puxa a cortina e olha: São Paulo a noite... 

Na cama próximo dele o outro dorme, o outro que poderia muito bem ser 'O' único, mas é perfeito demais para ficar com alguém tão 'fodido' de histórias anteriores como aquele que estava acordado. Fodido de histórias anteriores, de uma grande história anterior. 

Mas quem estava deitado também tinha história, mais do que aquele que estava cordado e talvez por isso, por ele parecer tão seguro e forte mesmo após tanta tempestade, nosso jovem acordado sentisse tanta admiração. 

Vontade de fumar, mas o jovem não fuma e quem dorme não gosta de cigarros. Aquele vazio corroendo. Os estudos já não tem o mesmo ânimo, o trabalho é apenas para garantir as fugas da realidade nos finais de semana, em casa: mudo e a máscara de que está tudo bem sempre sendo usada. 

Qualquer um que olhasse diria que o acordado é um sortudo, mas então, por qual motivo ele estava acordado às 3 da manhã, fora de casa, só de cueca, procurando por algo que nem ele mesmo sabe o que é?

Está tudo errado e ele não sabe como corrigir. Não sabe quando começou a errar, quando perdeu o rumo, por mais que se esforce para lembrar. 

O que dormia se vira na cama e sentado ao longe, o acordado observa o contorno do corpo do outro sob o lençol, iluminado pela luz fraca que teimava em entrar pela fresta da cortina que já tinha sido fechada. E a admiração que ele sentia cresceu, virou um carinho tão grande que ficar fora da cama incomodava. 

Voltou para a cama. Sem cigarros, sem ambições, levemente sem esperanças e então o outro vira, passa o braço pela cintura dele e diz: "Senti sua falta aqui..." Um beijo na nuca. É, ele poderia sim, ser 'O' único...

domingo, 4 de dezembro de 2011

"É, mas tenho ainda muita coisa pra arrumar, promessas que me fiz e que ainda não cumpri. Palavras me aguardam o tempo exato pra falar, coisas minhas, talvez você nem queira ouvir..."



Nosso tempo não chegou, ou talvez ele tenha passado. Me perdoa, é que depois de tudo o que já aconteceu entre nós e de todo o tempo que passou eu fiquei assim, meio acostumado a ser dependente da minha independência de você. 

Ainda que a força, a gente aprende a amar com o cérebro, porque assim vai doer menos. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Para meu filho...





Querido filho, você nem nasceu ainda e é bem provável que eu nem vá a ser seu pai biológico, mas desde já quero que saiba que se você veio parar ao meu lado é porque os laços de afeto falaram mais alto que os de sangue. Escuta teu pai, o mundo la fora é cruel e não se importa se você tem um coração grande ou se você teve dias difíceis. Não vão querer saber pra onde você vai, mas vão querer o melhor de você enquanto você estiver indo e isso dói, porque no fundo poucos serão os que se importarão com você de verdade. Mas filho, escuta, por mais complicado que tudo esteja você sempre vai poder contar com teu pai, esse agora moleque que ainda não sabe pra onde vai, nem quem você é, mas que te ama desde já.

domingo, 30 de outubro de 2011

Simplicidade...


Triste daquele que não conhece a alegria de dividir as coisas mais simples e bobas da vida com alguém, como cantar embaixo do chuveiro, tomar banho de chuva, fazer guerra de travesseiros ou cozinhar numa quarta-feira qualquer.

A questão na verdade, não é encontrar alguém para passar um sábado a noite, mas sim, achar "O" alguém, com quem você queira acordar no dia seguinte, passar um domingo chuvoso juntos fazendo absolutamente nada e ainda largar tudo numa terça a noite porque já está doido de saudade de vê-lo.

domingo, 9 de outubro de 2011

Vai entender...



Você acha que conseguiu superar qualquer trauma do termino do seu namoro e que se encontrar o falecido num lugar qualquer vocês se falarão como duas pessoas adultas. Mas Cher, só para acabar contigo, faz o ex passar por você enquanto você está plantado esperando um amigo em plena estação do metrô.

E o quê você faz quando vê o dito-cujo surgindo no meio da multidão do metrô?

SIMPLES: sai correndo na direção contrária, como se daquilo dependesse sua vida, nem olha para trás e se camufla na cor da parede mais próxima até ele passar.

É, realmente, estamos evoluindo: antes eu esbarrava nas pessoas durante o momento 'piloto de fuga', pelo menos agora consigo desviar. O pior é depois que ELE vai embora você fica se perguntando porquê raios agiu igual um babaca fugindo? 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sobre o dia do sexo (06/09) e o pinto amigo



Dia 06/09 foi o dia do sexo e fui bombardeado com as milhares de mensagens de "Feliz dia do sexo" em minhas redes sociais. Final do dia estou eu bem vendo minhas atualizações no facebook, quando me deparo com um post num grupo secreto de meninos gays falando sobre o assunto. 

Sarcástico como sou, comentei "Hoje é o dia que todo mundo liga para o PA (pinto amigo) de plantão. Hahaha" e qual foi minha surpresa ao perceber que a MAIORIA dos meninos do post disseram ser contra, ou abominar tal coisa. Não sou o mais santo dos gays, muito menos a Maria Madalena da turma e estou bem longe de ser a Sandy, mas sim, fiquei chocado: gays conseguem ser mais caretas e preconceituosos que muito hétero.

Quando terminei meu primeiro e único relacionamento passei um bom tempo sem conseguir ir para a cama com ninguém. Por vários motivos, mas os principais foram: porque o 'falecido' foi o primeiro cara na minha vida e ainda gostava do dito-cujo e porque eu simplesmente não conseguia ir para a cama com alguém que não era meu parceiro.

Levei um tempo para me livrar dos meus próprios preconceitos e pré-conceitos e conseguir transar com outra pessoa, mas essa não é a questão. Fui conversar com alguns solteiros, já que a camada puritana me surpreendeu ao condenar o uso do bom e velho PA. Quanto tempo exatamente um gay consegue ficar sem sexo? É tão condenável assim ter um pinto amigo, ou como outros dizem, uma farmácia de plantão (só ligar e em breve estará satisfeito com o que precisa)?

Consenso: a maioria dos meninos consegue ficar sem sexo tranquilamente por uma semana, na segunda um reloginho muito filho da mãe começa a tiquetaquear entre as pernas fazendo uma simples espreguiçada daquele colega de trabalho mais magia parecer um verdadeiro suplício de se assistir e impossível de conseguir ver e em seguida levantar e sair andando tranquilamente (se é que vocês me entendem... rs). Lógico que há exceções de meninos que conseguem passar mais tempo sem sexo, mas de modo geral, após a segunda semana você fica mais irritadiço e a tão conhecida ereção matinal deixa de ser fácil de controlar. 

Nessas horas vale tudo: respirar fundo, ver um bom BelAmi na solidão do seu quarto, fazer o ser superior e fingir que não precisa de sexo ou simplesmente pegar o telefone e ligar para aquele cara legal, que te entende muito bem, obrigado, na cama; que conversa com você o necessário para manter a intimidade e o básico para não terminar se afeiçoando.

Você pode até condenar quem recorrer aos PA's da vida, mas uma coisa é fato, mais dia, menos dia, você não se basta e seu corpo começa a implorar por mais do que sua mão, por mais do que lubrificante e a necessidade de troca de fluidos com qualquer outro ser humano fala mais alto. 

É necessário ser muito seguro de si e maduro para abrir sua intimidade (e quem sabe outras coisas também) para outra pessoa; é preciso saber que é apenas uma forma de entretenimento adulta e sadia o que está acontecendo entre você e seu PA e que assim que aquele momento, mais humano impossível, acabar ambos voltarão para suas vidas com as baterias recarregadas e o respeito pelo cara que te ajudou a se livrar daquele tiquetaquear infeliz que te atormentava. 

No fundo, a diferença entre quem recorre ao pinto amigo e quem não recorre está no grau de liberdade que tem consigo mesmo. 



(Continua...)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Recuceteio - A prática



Quem frequenta a noite gay em São Paulo sabe muito bem o quão pequeno o mundo pode ser. Pois é, numa das maiores capitais do mundo a quantidade de ficantes, amigos, 'affairs' e afins que se conhecem e/ou já ficaram entre si é altíssima.

Numa noite dessas fui parar numa balada qualquer com um amigo, nós dois, os únicos solteiros do grupo, resolvemos literalmente atolar o pé na jaca. Demos um 'perdido' nos amigos comprometidos e caímos nos braços do José Cuervo.

Algumas horas depois, eu fiquei com um rapaz que me parecia familiar, mas não tinha muita noção onde tinha visto o ser anteriormente, também não tinha muito sentido ficar pensando nisso visto meu estado etílico. Minha surpresa foi quando perguntei seu nome e o combo nome mais sobrenome me atingiram feito balas de um 38: ele era ninguém mais ninguém menos que o recente ex-namorado de um conhecido meu, conhecido este que deu muito em cima de mim enquanto namorava com o meu ficante da noite, vale lembrar que tudo isso aconteceu enquanto eu ficava com o melhor amigo dele. Entenderam?   

Eu repito: fiquei com X, X era ex-namorado de Y, Y dava em cima de mim enquanto eu ficava com Z, que era o melhor amigo de Y e eu nunca tinha visto X pessoalmente, só por fotos, visto que meu rolo com Z não durou mais que um mês. A situação como um todo rendeu: conversas tensas via facebook, dores de cabeça e um desafeto. 

Dias depois, durante um chocolate quente no Starbucks, expliquei a situação ao mesmo amigo solteiro que me acompanhou na balada, demos algumas risadas sobre a situação e em seguida paramos para pensar na quantidade de pessoas em comum que já ficamos ou que conhecemos e ficaram entre si. Taxas altíssimas. No nosso grupo de amigos, por exemplo, já rolou uma rotatividade louca nos tempos de solteirisse geral da galera.

Definitivamente, colocar a vida afetiva ou sexual em atividade, em uma cidade como São Paulo está cada vez mais perigoso: o risco de nos magoarmos ou de magoar alguém que conhecemos ou alguém que um conhecido nosso conhece é muito grande. 

Só resta rezar para que o próximo affair não conste nos históricos de nenhum outro conhecido e se constar, minha recomendação é: FUJA, nem olhe para trás, isso pode dar muita dor de cabeça. Para o seu bem e das suas noites de sono, pratique sexo seguro: só se envolva com quem não está nos históricos dos seus afetos, evite desafetos posteriores. 

domingo, 11 de setembro de 2011

E assim está bom, assim ele está bem.



Ele tem passado seus dias daqui para lá, do acadêmico para os braços de Morpheu, para a labuta, para Sobotta, West, Nitrini, para a labuta e Morpheu novamente, sem pensar nas artimanhas que Afrodite possa estar preparando, sem lembrar pelo que ela já o fez passar.

Vestiu sua melhor máscara e saiu, raramente a tira, mesmo quando Morpheu chega. O coração ficou guardado em alguma gaveta, entre uma anotação do Nitrini e do West. O cérebro tem sido seu principal órgão e quando lhe falam novamente de corações, a primeira coisa que lhe vem à mente são as imagens do Sobotta. 

O veneno do escorpião saiu de suas veias. Só há sangue, nada mais. Solidão não existe, muito menos tristezas. Voltou a ser menino e a cidade é seu playground. 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Recuceteio - A teoria

Ahhhhh, o bom e velho recuceteio! Você não sabe o que é? Peraí que já explico:  Pedro é amigo de Paulo, que por sua vez namorou Rafael, este conhece de vista o Luiz, que é amigo de Hugo, que estudou junto com o Pedro.

Pedro e Paulo vão à uma balada, nela, Pedro reencontra Hugo e apresenta-o ao Paulo, Paulo e Hugo ficam. Enquanto Paulo e Hugo ficam, Pedro esbarra com Luiz no bar e é paixão instantânea, nesse mesmo horário, porém em outra balada na mesma cidade, Rafael conhece Henrique, que acabou de terminar um relacionamento com Claudio.

Dois meses se passaram Pedro e Luiz estão namorando, Paulo e Hugo não passaram de um one night stand e Rafael e Henrique nem trocaram palavras depois da balada. Então, nossos heróis caem na noite novamente, coincidentemente na mesma boate.

Henrique conhece Paulo na pista de dança e eles ficam. Rafael e Hugo se olham, dançam um pouco juntos e ficam; Pedro está viajando à trabalho e Luiz sai sozinho pela noite e após algumas doses inicia uma conversa com Claudio, conversa essa que termina na cama de Luiz.

Resultado final: Henrique ficou com Paulo, sem saber que este era ex de Rafael; Rafael, ficou com um amigo do amigo do seu ex; Hugo, ficou com Rafael sem saber que ele é ex do seu amigo Paulo; ao mesmo tempo que Luiz se entretinha com o ex de Henrique, Claudio, enquanto seu namorado, Pedro, estava trabalhando fora de São Paulo.

A explicação pareceu confusa? Experimente passar pela situação para ver o que é confusão de verdade. Ahhh, o recuceteio...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

É você...



E assim, do nada, teu nome surge de novo em minha cabeça, como erva daninha que por mais que eu mande embora acaba voltando. Não, não choro mais, nem sofro, mas carrego comigo essa sensação estranha que parece que nunca vai desaparecer.

Nessa falta que vez ou outra me consome eu chego a me ver pegando o ônibus sentido tua casa, me vejo parando em teu portão, brincando com o cachorro para ele latir e denunciar que cheguei e assim não precisarei te chamar, então você sai, usando moleton e descabelado, com cara de sono, porque cheguei cedo justamente pra te ver mais menino, manhoso e saindo da cama, como eu fazia nos velhos tempos. 

Então, lembro que mais de um ano já se passou, que somos estranhos com um passando em comum vivendo na mesma cidade; lembro que não sei nada de ti atualmente, tampouco você sabe de mim e fico me perguntando: para quê fazer todo o caminho sentido tua casa? Pra gente ficar frente a frente, olhar um para o outro de novo e agir como se não se conhecesse? 

Melhor eu ficar do outro lado da cidade, como se houvesse uma linha delimitando onde meus dias devem acontecer: longe dos seus e só a noite ou as coincidências do destino podem nos juntar novamente, ainda que por segundos, ainda que com uma multidão ao redor, ainda que com um simples beijo no rosto eu vá embora evitando te olhar de novo, porque te ver dói e também porque mesmo com tanto tempo ainda tenho seu cheiro gravado na memória, e sinto que é você e só você.  

sábado, 2 de abril de 2011

Changes



As poucas pessoas que passam por aqui devem ter reparado que algumas coisas mudaram no blog. Primeiro de tudo: o nome. Na verdade eu tinha a idéia de montar um outro blog com este título, por recomendações de pessoas que liam os textos que eu escrevi antigamente e classifiquei como 'Crônicas de um sobrevivente'.

Quando abri esse espaço, tive uma crise criativa na hora de escolher o nome, mas o tempo foi passando e não tive mais dúvidas, o nome correto desse espaço sempre foi "Crônicas de um sobrevivente". Agora assumo. Reconheço.

Talvez outras coisas também mudem, já que eu tenho mudado. Ou não...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Aconteceu



Ai você passa dias esperando muito uma coisa acontecer e quando ela acontece não é no contexto que você queria, mas é exatamente como você esperou que fosse; por isso, ficarei aqui parado olhando o resultado como quem admira criança dormir porque assim como colocar uma criança para dormir, custou paciência e dedicação, e o jeito que me senti depois que tudo aconteceu me fez acreditar que tudo valeu a pena. A esperança é sempre mais teimosa do que eu. Espero acontecimentos... 

domingo, 27 de março de 2011

Mi Delirio de Libertad

Recusava-me a voltar e ver dois, dos que eram seis. Faltavam quatro dos seis que marcaram minha adolescência. Marcaram madrugadas sonhando com um primeiro amor que parecia nunca chegar, marcaram uma rebeldia que só existia nas roupas e por falar de sentimentos que eu sequer conhecia de verdade. 

Conheci os sentimentos, a rebeldia saiu das roupas e os seis vieram ao Brasil. Junto com uma multidão minha voz se somou e um pouco depois o primeiro amor chegou. Anos depois: o primeiro amor se foi, os seis também, e o reencontro de dois, seria para homenagear o que já foi. 


Depois de muita insistência de um amigo, as entradas foram compradas com 15 dias de antecedência. 

Sol. Fila. Horas passando lentamente. Tudo se parecia como antes, mas eu não era mais o mesmo, minhas cicatrizes me lembram que não posso mais ser como era. 

Palco. Luzes. Abertura. Ele entra. Se vai. Ela vem. Ela, pela qual eu me encantei com um pedido de 'Salvame', ela que me prendeu em filas, que cantou em meus ouvidos a qualquer hora e lugar, ela que com suas letras gritou toda dor que sentia quando escolhi não tê-lo mais do meu lado. Quando reconheci que não era mais possível tê-lo. 

Ela chegou revidando arquivos antigos, fuçando no que eu já considerava guardado e tudo começou a se mover, criar vida, a revolta voltou queimando, era como se tudo tivesse acabado de acontecer, como se ELE tivesse acabado de partir.  

A raiva me corroia, doia, me revirava, um filme passava na minha cabeça: dias no quarto trancado sentindo falta DELE. Lembrei de como não se importou com o tanto que eu estava sofrendo. Lembrei de como acreditei que daria certo da segunda vez. Lembrei das faltas, das mentiras, das omissões, das brigas, do fim.


"Tu me alteras, me haces
bien y mal
desespera tu forma de amar
No, no, tú no vas a cambiar"
Quando ELE se foi, levou um pedaço de quem eu era junto. E fui me acostumando com a ausência desse pedaço. Fui tornando-me um novo "Eu". Moldado para não sentir. Não acreditar. Não deixar ninguém se aproximar. Uma segunda tentativa da parte dela: 
"Tu calor sobre la almohada se esfumó

Y hoy me hace falta

Los recuerdos no me dejan ver
Que nada volverá a ser como ayer, como ayer
El dolor me desarma
Y llorar ya no me calma
Poco a poco empiezo a enloquecer

Y no se que podrá venir después, después"

Não tinha mais motivos para sentir... Sendo assim,  por qual motivo tudo aquilo reaparecia? Teria eu esquecido? Não. Não esqueci. Fui guardando num canto da minha mente para não pensar. Não ver. Não sentir. Não tocar. Não encarar doia menos, acostumei-me com isso. Ela provocou mais. Eu me rendi. Não conseguia mais suportar tudo que tinha guardado por tanto tempo. 

"Ya no curare tu soledad
Cuando duerma la ciudad
No estaré para oír
Tus historias tontas
No, porque tienes miedo de sentir
Porque eres alérgico a soñar
Y perdimos color
Porque eres alérgico el amor..."

Chorei. Por mim. Não por não tê-lo mais por perto, mas sim por ter deixado tanto de mim passar sem aproveitar em pró de tê-lo ao meu lado. Chorei porque fui visitado por quem eu era. O menino de 15 anos, de aparelho, cabelo bagunçado e um tanto inseguro reapareceu, para me lembrar que ele se sufocou em meio às 1001 coisas que coloquei na frente dele. Chorei por reconhecer que tinha me perdido e sequer sabia como voltar. 

"Extrañarte es mi necesidad, vivo en la desesperanza

desde que tu ya no vuelves mas.
Sobrevivo por pura ansiedad, con el nudo en la
garganta y es que no te dejo de pensar.
(...)
Me propongo tanto continuar, pero amor es la palabra

que me cuesta a veces olvidar.
Sobrevivo por pura ansiedad, con el nudo en la
garganta y es que no te dejo de pensar.
Poco a poco el corazón va perdiendo la fe, perdiendo
la voz."


Cheguei em casa tarde. Rouco. Feliz. Exorcizado. Mais que um reencontro com a Anahi ou um reencontro dela com o Christian, foi um reencontro do antigo Alan (aquele que se arrepiava com o Rbd cantando) com o Alan de hoje (realista, mais maduro, menos menino, mas ainda longe de ser o homem que deseja ser). 

Sinto falta de quem fui, mas carregarei quem fui como um tesouro que só eu sei onde está e que me ajudará a lembrar quem  sou e onde quero chegar. Detesto reconhecer que valorizei coisas erradas, que precisei me deixar de lado para reconhecer que também tenho valor, que também valho a pena e que preciso de mais do que tive em toda minha vida. 

"Y voy a subirme a este tren
no me importa el destino
quiero estar conmigo
saber que también yo valgo la pena
y que mi corazón ha estado tan tibio
por falta de amor."

Seguirei minha viagem porque não posso mais ficar parado. Não importa o motivo. Talvez entre uma estação e outra, suba no mesmo vagão, e peça licença aos meus amigos para se sentar próximo, alguém que quando me olhar reconheça quem sou e que sempre esteve procurando por mim, mesmo sem nunca ter me visto. E eu vou simplesmente saber que era por ele que esperava enquanto me perdi e enquanto seguia viagem sem saber exatamente onde estava indo. Mas se isso não acontecer estarei bem, porque sei que preciso só de mim mesmo e dos meus fiéis amigos para estar completo. O que já foi não me dói mais. Libertad! 




segunda-feira, 7 de março de 2011

Enquanto isso num canto escuro da minha mente...



"Noite, luz apagada, quarto escuro, solidão, insônia, cigarro pela metade, coca cola gelada, lembranças, passados, então senti saudades:

De quando a gente tentava ascender a fogueira com gravetos molhados de chuva no acampamento;
Dos nossos tênis jogados no canto da sala;
Meus cds, seus cds, misturados; 
Nossas cuecas trocadas;
Torpedo de boa noite às 3 da manhã; 
Nossas viagens de fim de semana;
Nossos passeios de bicicletas no Ibirapuera; 
Nossas iniciais na árvore PX do portão 3;
Nossa música: Colbie Caillat - Bubble;
Seus ciúmes sem motivos, meus ciúmes com motivos;
Nossas briguinhas bobas;
Suas cartas de amor;
Eu tocando chopin no violino pra você;
Sex and city debaixo da coberta;
Quando fazíamos pipoca com Sazón;
E nos dias frios que passávamos abraçadinhos vendo filme de zumbi; 
E das noites quentes que dormíamos de conchinha;
De quando roubávamos chocolate nas lojas americana;
De quando você queria discutir a relação nos momentos mais inoportunos;
Sua marquinha de nascença na perna, sua marquinha de sunga;
Do cheiro do seu perfume - CK One, e de como toda vez que sinto o cheiro me lembro imediatamente de você;
Da covinha que fazia na sua bochecha quando você sorria;
Do seu sorriso encantador e dos seus olhinhos transparente de menino cheio de luz;
Dos azuis dos seus olhos, e de como me via refletido neles; 
De quando você dizia no meu ouvido sussurrando baixinho: "pra sempre";
Dos nossos sonhos;
Dos nossos planos inacabados, que nunca serão realizados...
que nunca será...
...nunca.


Texto escrito pelo talentoso Dr. Misantropo no tópico de uma comunidade do orkut. 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Achado na noite" ou "Agradecendo Mr. P"


E lá estava eu, no mesmo lugar de antes, sem nada esperar e justamente nessa hora, quando já não lembrava mais do quanto me sacodi quando ele apareceu, quando tinha certeza que ele nunca mais cruzaria meu caminho eu o vejo ali, parado, e se antes fui calmo, agora não consegui manter esse estado.

Explicações dadas. Telefones corretos finalmente trocados. Um verdadeiro achado (ou re-achado) na noite. Uma noite um tanto perfeita e parecia que um mês não tinha passado desde que se conheceram. Conversas esparças durante a semana e o ápice simplesmente não aconteceu. Não houve nada.

O jantar marcado não ocorreu, nem a baladinha depois. Não teve despedidas. Não teve motivos. Talvez ele só tenha reaparecido para provar que não era o "Sr. Perfeição". Afinal, quem é perfeito? Talvez minha imaginação seja: perfeita em suas imperfeições.

Só tenho a agradecer ao "Mr. P" por ter me guentado e me dado um up quando a revolta tinha tomado conta. Quem escreveu que "Decepção não mata, ensina a beber", provavelmente não sabia que decepções não só servem para ensinar a beber, mas também para mostrar quem são nossos amigos de verdade.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não me deixe sozinho

Imagem via Inconfidências Íntimas

Domingo, sol escaldante, piscina, música alta, alguns amigos e ao canto estava ele: solitário, tão rodeado de pessoas que claramente o amavam, mas ainda assim solitário, com aqueles olhos que quando pararam nos meus mostraram um conflito devastador e silencioso. Um conflito que um dia foi meu.

Quem me conhece, sabe que enquanto o mundo pega fogo de tanta agitação eu reparo justamente naqueles que permanecem quietos, naqueles ao canto, que sentem necessidade de se camuflar junto à parede para passar despercebidos, como verdadeiros figurantes de suas próprias vidas.

Quando Sartre escreveu que "O inferno são os outros" talvez não conhecesse alguém que não soubesse lidar consigo mesmo.

Nunca tive medo da solidão, mas olhando aquele homem experiente e grisalho senti um certo medo do meu futuro. Medo de um dia terminar como ele: rodeado de gente, mas solitário, triste. Sem perceber, tinha diante de mim um exemplo do quê eu mais temia me tornar e o nó na garganta se formou sem que eu entendesse o motivo. Talvez eu só precisasse me provar que EU não estou fadado a ter uma vida como aquela, que não estou destinado a terminar na solidão.

Ao me despedir daquele rosto triste, me envergonhei do meu egoísmo e de não ter feito nada para ajudar. Pensando bem, ajudar em quê? Era uma guerra que ele precisa vencer sozinho. Nem eu, nem ninguém, pode salvá-lo de si próprio.

Quando o carro deu a partida e olhei sua figura, ainda na mesma posição que estava quando nos despedimos, não pude deixar de sentir esperança, ainda que pouca, e de torcer para que tudo termine bem.

Passei alguns dias com a figura dele na minha cabeça, mas com o tempo as coisas foram clareando: talvez eu case, talvez não; talvez tenha filhos, talvez não; talvez eu viage muito e viva amores intensos em lugares paradisíacos; talvez eu compre um apartamento e viva modestamente na companhia de um cachorro; não tenho garantia alguma que minha vida (ou o final dela) não será solitária, a única certeza que tenho é que só de entender isso, e me aceitar como, sou já é um começo para não tornar meu maior medo real.

Só de encará-lo, ele já parece menos assustador. Tenho esperanças...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma questão de relatividade


Foto via BHY
Quando me descobri gay já entrei em um relacionamento que durou três anos e meio, mas como tudo na vida tem um fim, meu namoro também teve e sem expericência alguma fui lançado ao mercado de carnes. Uma das coisas que mais me impactou e que não entendi por, até então, não fazer parte do meu cotidiano, é essa 'especificação técnica' que alguns gays tem de sou 'ativo', 'passivo', 'versátil'.

Já vi amigos deixarem pretendentes excelentes apenas por desconfiar que o dito-cujo fosse só passivo ou só ativo, já vi casais brigarem por um ser só ativo, assim com já ouvi relatos de casais em que havia estress pra saber quem seria passivo primeiro.

Passividades e atividades à parte, parei pra questionar alguns amigos sobre o assunto: P. me disse que não gosta de ser passivo por se sentir muito gay, porém acredito que o buraco seja um pouco mais embaixo (sem trocadilhos). B. afirmou preferir ser passivo, mas que não abre mão de ser ativo de vez em quando. Enquanto RB. disse que depende muito do cara que está com ele: as vezes sente vontade de ser só passivo, as vezes só ativo, assim como há vezes em que faz os dois papéis.

Três pessoas, três respostas completamente distintas e várias dúvidas na minha cabeça. Por qual motivo um cara não gostaria de ser passivo? Dor? Sensação de incomodo? Frescura? Apelo psicológico? Ao mesmo tempo, por quê alguém preferiria ser só ativo? Não seria melhor se o mundo fosse flex?

Os mais brandos que me desculpem, mas eu, no auge de minhas preferências flexíveis, sou um pouco xiita quando o assunto é sexo. Odeio rótulos e talvez por isso acredito que 'se é pra ser só ativo', fique com mulheres! Se é pra ser só passivo, se opere!

Ser só passivo seria negar a masculidade que você possui e super valorizar a masculinidade do outro, já quando o assunto é ser só ativo, a questão se é um mais complexa: em uma sociedade machista e hétero normativista como a nossa, a figura de quem 'cede' é tida como tipicamente feminina, e durante o sexo entre gays, quem cede é invariavemente igualado a uma mulher, por assumir um papel que na sociedade é tipo como tipicamente feminino.

Após este raciocínio me deparei com a certeza que o quê realmente incomodava meu amigo não era dar, mas sim ser tido, ainda que pouquíssimo tempo, como uma mulher; o quê realmente lhe incomodava e o fazia se sentir mais gay é o fato de que, ainda que entre quatro paredes ele seria 'dominado', ele estaria 'cedendo', ele estaria sendo o 'frágil' para um alpha igual a ele.

Creio piamente que quando você assume que é do igual que gosta, está invariavelmente reconhecendo a 'possibilidade' de executar os papeis que possam surgir entre quatro paredes ocupadas por dois iguais. Quando o assunto é sexo entre duas pessoas que realmente se amam (ou que estão apenas procurando se divertir de maneira adulta), por qual motivo não fazer 'tudo' dentro dos limites pessoais de cada um? Para quê se restringir a apenas uma 'prática'?

Tudo bem que entre as duas práticas você sempre terá uma como favorita, mas para quê ser tão restrito e não fazer a outra, ainda que com pouca frequência? Num mundo em que tudo passa rápido, acredito que a maneira de aproveitar ao máximo uma transa, é se permitindo, afinal, todo ser humano nasceu física e psicologicamente apta para lidar com sexo - tanto com o sexo oposto quanto com o mesmo sexo.

Ativos, permitam-se descobrir novos prazeres. Passivos, experimentem o outro lado. Versáteis: nós somos o futuro, afinal, num presente em que boa parte dos gays rotulam uns aos outros como brancos ou pretos -  sendo o branco a única combinação para o preto e virce-versa - nós, os cinzas, surgimos para mostrar, outras combinaçoes podem surgir e que isso é sensacional.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ensaio sobre o Leão (Ou Perdido na noite parte II)



Tudo começou com um romance rápido e quando as coisas começaram a ficar sérias Este pulou fora. Aquele já tinha saido de guerras perdidas e com ferimentos suficientes pra deixar Este ir embora sem se importar com o que viria depois. O problema é que por mais que Este, não quizesse ficar, também não ia embora de uma vez e por algum tempo foi assim.

Eis que pouco mais de um ano se passa, Este reaparece. Aquele não conseguia ver Este com os mesmos olhos. Impossível fazê-lo. Álcool. Beijos. Uma liberdade jamais provada antes. Mais beijos, em outras bocas, enquanto pares de olhos familiares observavam em revesamento.

Não veio sexo, nem juras, nem a confusão de outrora, só a sensação de uma amizade regada à uma atração que nenhum dos dois saberia explicar. Amizade confirmada dias depois, quando Este, procura Aquele para chorar mágoas de outro amor e por incrível que pareça não doeu n'Aquele ouvir.

Quando tudo tinha sido deixado para trás? Quando 'algo a mais' foi desligado e a amizade tomou conta? Por qual motivo não tinham dado certo como algo mais?  Existiu algum dia um 'algo mais'? Assim, sem precisar perguntar, apenas pelo quadro da situação, Aquele encontrou respostas sem precisar fazer perguntas. Este as ofereceu de graça, tiro atrás de tiro no peito aberto d'Aquele.

Aquele finalmente entendeu, que o problema nunca foi ele, que aquela sensação de "ele é de mais pra mim" não tinha fundamento algum e concluiu que de repende, pode haver garotos que não nasceram para serem domados, que talvez ele próprio fosse um desses garotos, que serão eternamente livres como um leão.

Um rei nato. Felino, que encanta, mas espanta pelo porte, pela força, pela agressividade e ao mesmo tempo docilidade. Nasce a aliança de amigos de uma Nárnia privada. Aslam não pode ser domesticado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Perdido na noite


Foto via "Inconfidências Íntimas"



As vezes você se vê agindo de um modo que não saberia explicar. Sexta passada foi assim: com a roupa de um 'passeio à tarde' e quatro caipirinhas na cabeça, eu liguei para 'O músico' e para o 'Mr. T' convidando-os para ir à mesma balada em que na semana anterior, eu tinha conhecido o "Sr. Perfeição".

O músico: antiga paixão, daquelas que você perde a cabeça completamente e que depois de muitos acontecimentos, terminou virando amigo. Uma amizade do tipo que não se esconde a atração que quase sempre rola solta.

Mr. T: um one night stand sem sexo que terminou virando uma amizade daquelas que parecem ter nascido na infância. Um "Alan" fora do meu próprio corpo. Mais parecido comigo impossível. Não me refiro a semelhanças físicas, mas sim no jeito de pensar, na história, nas coisas que já passou. B1 e B2, somos complementares.

Nada de novo na balada. Alguns rostos conhecidos. Mesmas músicas. Mesma vibe. Mesmo tudo, mas eu ainda não tinha me dado conta do motivo pelo qual eu tinha deixado de voltar pra minha casa e com a roupa de um passeio no parque, tinha embalado na noite.

Só pelas tantas da manhã, algumas doses e bocas depois, ao reparar no "Mr. T" ficando com um moço com super cara de bonzinho, foi que reconheci que no fundo o que me levara até ali foi a esperança de reencontrar o "Sr. perfeição". Mesmo dia, mesma casa, mesma programação, um desejo inconsciente.

Não, normalmente não sou de correr atrás de absolutamente ninguém. Já corri, não minto, mas não mais. Então por qual motivo eu estava lá? Exercício complexo: tentar me entender depois de beber, com música alta e gente ao redor, mas minha teimosia foi mais forte e lá estava eu tentando o impossível.

Não consegui chegar à conclusão nenhuma, apesar de reconhecer extamente o que me levou até lá. Não, não o encontrei novamente, mas descobri que as vezes, quem mais aparenta não passar de uma atração é justamente quem mais se importa contigo, quem te protege, quem mais precisa de você, do seu colo e quem menos sabe como lidar com isso.

(Continua ...)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caminhos


Confesso que nos últimos dias de 2010 e nos primeiros dias de 2011 minha cabeça andou um tanto cheia com coisas antigas: cartas, bilhetes, fotos, anotações, lembranças de algo que aconteceu por um bom tempo, mas que a quase um ano terminou. Quando todo o turbilhão foi embora, parei pra pensar no quê possivelmente tenha me levado de volta ao sentimentalismo, saudosismo e nostalgia que regaram meus dias. Simplesmente não consegui ter uma resposta clara e objetiva como todo taurino adora ter.

Eis que sexta-feira chega, me arrumo e vou pra reabertura de uma das melhores baladas de São Paulo. Casa lotada, som maravilhoso, muita gente bonita e dois shots de tequila, dois cosmopolitans, algumas caipirinhas e um energético depois eu já estava na vibe da multidão que me rondava.

Tudo normal, até encontrar o "Sr. perfeição" no meio da multidão. Ele era bonito, inteligente, charmoso, bom de papo, irônico e ainda me fazia rir, por um bom tempo pareceu que não tinha mais nada ao redor na boate, até mesmo meu leve estado de embriaguez parecia ter passado.

Final da noite chega, aquela muvuca pra pagar as comandas e o "Sr. perfeição" precisava pegar seu carro no estacionamento, me passou seu telefone e eu na ansiedade de continuar a conversa olhando para aquele par de olhos verdes que me interrogavam sem precisar falar muito, anotei o número, cliquei em discar e fechei meu cel. Ele disse que não anotaria o meu, por ter certeza que eu ligaria e que nos veriamos muito em breve.

Volto pra casa e quando procuro o telefone do "Sr. perfeição" no dia seguinte, cadê? A tecnologia trabalhou contra o homem? Ou foi meu QI que trabalhou contra mim? Sábado a noite, indo para a casa de um amigo e olhando a paisagem noturna da cidade, comecei a pensar em relacionamentos (ou possíveis relacionamentos) e São Paulo. Lembrei-me do "Sr. perfeição" e nessa hora, não consegui evitar a sensação de que talvez tivesse perdido a oportunidade de ter 'algo legal', com 'alguém mais legal ainda'. Meu celular pareceu pesar uma tonelada dentro do meu bolso. 

Quais as chances de nos encontrarmos novamente? Em um lugar que nunca pára, quais as chances de dois caminhos se cruzarem duas vezes? Você passa anos frequentando os mesmos locais que alguém excepcionalmente legal sem encontrá-lo e da noite pro dia ele cruza seu caminho para em seguida ser engolido por todo o concreto que nos ronda, como se nunca tivesse existido?

Um amigo veio me dizer, na tentativa de me dar um 'up', que passou anos indo aos locais favoritos de um 'one night stand' sem nunca encontrá-lo e que depois do 'one night stand' eles passaram a se encontrar em tudo quanto era lugar, até mesmo na fila da paradaria. Será que as facilidades de uma cidade enorme e fervida como São Paulo ajudariam a nos reencontrarmos?

Creio que se for pra nos esbarrarmos um dia, São Paulo, o destino, ou sei lá o quê, se encarregará de fazê-lo, mas enquanto isso não acontece, eu leio o manual do meu celular para não repetir os mesmos erros e sigo em frente, porque se São Paulo não pára, eu muito menos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Aos deuses!

Atena: deusa grega da sabedoria e das artes.

E finalmente chega o ano novo, geralmente as pessoas fazem 1001 metas. Não sou do tipo de prometer coisas quando chega meia noite no dia primeiro de um  novo ano. Sou mais do tipo introspectivo que prefere olhar a queima de fogos um pouco afastado do grupo, da família, sozinho.

Masoquismo? Auto-flagelação? Não sei. Tenho essa necessidade de pelo menos por um segundo, nem que por apenas um único dia do ano, ainda que acompanhado, me impor uma solidão temporária, um silêncio interior, um olhar pra dentro, um tentar ver o Alan como se fosse outra pessoa.

Tenho a mania de analisar a mim mesmo e às pessoas ao meu redor com frequência. Mais uma chatice típica minha: tentar racionalisar tudo. Aliás, não sou chato, só perfeccionista e me cobro um pouco de mais.  E é justamente quando dá meia noite e os fogos de artifício explodem que meu maior carrasco chega: eu mesmo. Justamente quando todo mundo comemora eu paro pra acertar as contas comigo.

E enquanto o resto do mundo comemora a chegada de um novo ano, eu ao mesmo tempo que mandava minhas mais sinceras saudações à Poseidon, era julgado na minha santa inquisição pessoal. Ainda me restam 'crimes' do ano que passou a serem julgados, mas é sempre bom perceber que o tempo levou algumas coisas que precisavam ser levadas. Assim como é duro reconhecer que há coisas que por mais que você espere que Zeus destrua ou Poseidon afunde, Hestia continua mantendo pra lembrar quem você realmente é, só espero que Atena dê-me sua bênção para mais uma fase.