domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Achado na noite" ou "Agradecendo Mr. P"


E lá estava eu, no mesmo lugar de antes, sem nada esperar e justamente nessa hora, quando já não lembrava mais do quanto me sacodi quando ele apareceu, quando tinha certeza que ele nunca mais cruzaria meu caminho eu o vejo ali, parado, e se antes fui calmo, agora não consegui manter esse estado.

Explicações dadas. Telefones corretos finalmente trocados. Um verdadeiro achado (ou re-achado) na noite. Uma noite um tanto perfeita e parecia que um mês não tinha passado desde que se conheceram. Conversas esparças durante a semana e o ápice simplesmente não aconteceu. Não houve nada.

O jantar marcado não ocorreu, nem a baladinha depois. Não teve despedidas. Não teve motivos. Talvez ele só tenha reaparecido para provar que não era o "Sr. Perfeição". Afinal, quem é perfeito? Talvez minha imaginação seja: perfeita em suas imperfeições.

Só tenho a agradecer ao "Mr. P" por ter me guentado e me dado um up quando a revolta tinha tomado conta. Quem escreveu que "Decepção não mata, ensina a beber", provavelmente não sabia que decepções não só servem para ensinar a beber, mas também para mostrar quem são nossos amigos de verdade.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não me deixe sozinho

Imagem via Inconfidências Íntimas

Domingo, sol escaldante, piscina, música alta, alguns amigos e ao canto estava ele: solitário, tão rodeado de pessoas que claramente o amavam, mas ainda assim solitário, com aqueles olhos que quando pararam nos meus mostraram um conflito devastador e silencioso. Um conflito que um dia foi meu.

Quem me conhece, sabe que enquanto o mundo pega fogo de tanta agitação eu reparo justamente naqueles que permanecem quietos, naqueles ao canto, que sentem necessidade de se camuflar junto à parede para passar despercebidos, como verdadeiros figurantes de suas próprias vidas.

Quando Sartre escreveu que "O inferno são os outros" talvez não conhecesse alguém que não soubesse lidar consigo mesmo.

Nunca tive medo da solidão, mas olhando aquele homem experiente e grisalho senti um certo medo do meu futuro. Medo de um dia terminar como ele: rodeado de gente, mas solitário, triste. Sem perceber, tinha diante de mim um exemplo do quê eu mais temia me tornar e o nó na garganta se formou sem que eu entendesse o motivo. Talvez eu só precisasse me provar que EU não estou fadado a ter uma vida como aquela, que não estou destinado a terminar na solidão.

Ao me despedir daquele rosto triste, me envergonhei do meu egoísmo e de não ter feito nada para ajudar. Pensando bem, ajudar em quê? Era uma guerra que ele precisa vencer sozinho. Nem eu, nem ninguém, pode salvá-lo de si próprio.

Quando o carro deu a partida e olhei sua figura, ainda na mesma posição que estava quando nos despedimos, não pude deixar de sentir esperança, ainda que pouca, e de torcer para que tudo termine bem.

Passei alguns dias com a figura dele na minha cabeça, mas com o tempo as coisas foram clareando: talvez eu case, talvez não; talvez tenha filhos, talvez não; talvez eu viage muito e viva amores intensos em lugares paradisíacos; talvez eu compre um apartamento e viva modestamente na companhia de um cachorro; não tenho garantia alguma que minha vida (ou o final dela) não será solitária, a única certeza que tenho é que só de entender isso, e me aceitar como, sou já é um começo para não tornar meu maior medo real.

Só de encará-lo, ele já parece menos assustador. Tenho esperanças...