quarta-feira, 30 de março de 2011

Aconteceu



Ai você passa dias esperando muito uma coisa acontecer e quando ela acontece não é no contexto que você queria, mas é exatamente como você esperou que fosse; por isso, ficarei aqui parado olhando o resultado como quem admira criança dormir porque assim como colocar uma criança para dormir, custou paciência e dedicação, e o jeito que me senti depois que tudo aconteceu me fez acreditar que tudo valeu a pena. A esperança é sempre mais teimosa do que eu. Espero acontecimentos... 

domingo, 27 de março de 2011

Mi Delirio de Libertad

Recusava-me a voltar e ver dois, dos que eram seis. Faltavam quatro dos seis que marcaram minha adolescência. Marcaram madrugadas sonhando com um primeiro amor que parecia nunca chegar, marcaram uma rebeldia que só existia nas roupas e por falar de sentimentos que eu sequer conhecia de verdade. 

Conheci os sentimentos, a rebeldia saiu das roupas e os seis vieram ao Brasil. Junto com uma multidão minha voz se somou e um pouco depois o primeiro amor chegou. Anos depois: o primeiro amor se foi, os seis também, e o reencontro de dois, seria para homenagear o que já foi. 


Depois de muita insistência de um amigo, as entradas foram compradas com 15 dias de antecedência. 

Sol. Fila. Horas passando lentamente. Tudo se parecia como antes, mas eu não era mais o mesmo, minhas cicatrizes me lembram que não posso mais ser como era. 

Palco. Luzes. Abertura. Ele entra. Se vai. Ela vem. Ela, pela qual eu me encantei com um pedido de 'Salvame', ela que me prendeu em filas, que cantou em meus ouvidos a qualquer hora e lugar, ela que com suas letras gritou toda dor que sentia quando escolhi não tê-lo mais do meu lado. Quando reconheci que não era mais possível tê-lo. 

Ela chegou revidando arquivos antigos, fuçando no que eu já considerava guardado e tudo começou a se mover, criar vida, a revolta voltou queimando, era como se tudo tivesse acabado de acontecer, como se ELE tivesse acabado de partir.  

A raiva me corroia, doia, me revirava, um filme passava na minha cabeça: dias no quarto trancado sentindo falta DELE. Lembrei de como não se importou com o tanto que eu estava sofrendo. Lembrei de como acreditei que daria certo da segunda vez. Lembrei das faltas, das mentiras, das omissões, das brigas, do fim.


"Tu me alteras, me haces
bien y mal
desespera tu forma de amar
No, no, tú no vas a cambiar"
Quando ELE se foi, levou um pedaço de quem eu era junto. E fui me acostumando com a ausência desse pedaço. Fui tornando-me um novo "Eu". Moldado para não sentir. Não acreditar. Não deixar ninguém se aproximar. Uma segunda tentativa da parte dela: 
"Tu calor sobre la almohada se esfumó

Y hoy me hace falta

Los recuerdos no me dejan ver
Que nada volverá a ser como ayer, como ayer
El dolor me desarma
Y llorar ya no me calma
Poco a poco empiezo a enloquecer

Y no se que podrá venir después, después"

Não tinha mais motivos para sentir... Sendo assim,  por qual motivo tudo aquilo reaparecia? Teria eu esquecido? Não. Não esqueci. Fui guardando num canto da minha mente para não pensar. Não ver. Não sentir. Não tocar. Não encarar doia menos, acostumei-me com isso. Ela provocou mais. Eu me rendi. Não conseguia mais suportar tudo que tinha guardado por tanto tempo. 

"Ya no curare tu soledad
Cuando duerma la ciudad
No estaré para oír
Tus historias tontas
No, porque tienes miedo de sentir
Porque eres alérgico a soñar
Y perdimos color
Porque eres alérgico el amor..."

Chorei. Por mim. Não por não tê-lo mais por perto, mas sim por ter deixado tanto de mim passar sem aproveitar em pró de tê-lo ao meu lado. Chorei porque fui visitado por quem eu era. O menino de 15 anos, de aparelho, cabelo bagunçado e um tanto inseguro reapareceu, para me lembrar que ele se sufocou em meio às 1001 coisas que coloquei na frente dele. Chorei por reconhecer que tinha me perdido e sequer sabia como voltar. 

"Extrañarte es mi necesidad, vivo en la desesperanza

desde que tu ya no vuelves mas.
Sobrevivo por pura ansiedad, con el nudo en la
garganta y es que no te dejo de pensar.
(...)
Me propongo tanto continuar, pero amor es la palabra

que me cuesta a veces olvidar.
Sobrevivo por pura ansiedad, con el nudo en la
garganta y es que no te dejo de pensar.
Poco a poco el corazón va perdiendo la fe, perdiendo
la voz."


Cheguei em casa tarde. Rouco. Feliz. Exorcizado. Mais que um reencontro com a Anahi ou um reencontro dela com o Christian, foi um reencontro do antigo Alan (aquele que se arrepiava com o Rbd cantando) com o Alan de hoje (realista, mais maduro, menos menino, mas ainda longe de ser o homem que deseja ser). 

Sinto falta de quem fui, mas carregarei quem fui como um tesouro que só eu sei onde está e que me ajudará a lembrar quem  sou e onde quero chegar. Detesto reconhecer que valorizei coisas erradas, que precisei me deixar de lado para reconhecer que também tenho valor, que também valho a pena e que preciso de mais do que tive em toda minha vida. 

"Y voy a subirme a este tren
no me importa el destino
quiero estar conmigo
saber que también yo valgo la pena
y que mi corazón ha estado tan tibio
por falta de amor."

Seguirei minha viagem porque não posso mais ficar parado. Não importa o motivo. Talvez entre uma estação e outra, suba no mesmo vagão, e peça licença aos meus amigos para se sentar próximo, alguém que quando me olhar reconheça quem sou e que sempre esteve procurando por mim, mesmo sem nunca ter me visto. E eu vou simplesmente saber que era por ele que esperava enquanto me perdi e enquanto seguia viagem sem saber exatamente onde estava indo. Mas se isso não acontecer estarei bem, porque sei que preciso só de mim mesmo e dos meus fiéis amigos para estar completo. O que já foi não me dói mais. Libertad! 




segunda-feira, 7 de março de 2011

Enquanto isso num canto escuro da minha mente...



"Noite, luz apagada, quarto escuro, solidão, insônia, cigarro pela metade, coca cola gelada, lembranças, passados, então senti saudades:

De quando a gente tentava ascender a fogueira com gravetos molhados de chuva no acampamento;
Dos nossos tênis jogados no canto da sala;
Meus cds, seus cds, misturados; 
Nossas cuecas trocadas;
Torpedo de boa noite às 3 da manhã; 
Nossas viagens de fim de semana;
Nossos passeios de bicicletas no Ibirapuera; 
Nossas iniciais na árvore PX do portão 3;
Nossa música: Colbie Caillat - Bubble;
Seus ciúmes sem motivos, meus ciúmes com motivos;
Nossas briguinhas bobas;
Suas cartas de amor;
Eu tocando chopin no violino pra você;
Sex and city debaixo da coberta;
Quando fazíamos pipoca com Sazón;
E nos dias frios que passávamos abraçadinhos vendo filme de zumbi; 
E das noites quentes que dormíamos de conchinha;
De quando roubávamos chocolate nas lojas americana;
De quando você queria discutir a relação nos momentos mais inoportunos;
Sua marquinha de nascença na perna, sua marquinha de sunga;
Do cheiro do seu perfume - CK One, e de como toda vez que sinto o cheiro me lembro imediatamente de você;
Da covinha que fazia na sua bochecha quando você sorria;
Do seu sorriso encantador e dos seus olhinhos transparente de menino cheio de luz;
Dos azuis dos seus olhos, e de como me via refletido neles; 
De quando você dizia no meu ouvido sussurrando baixinho: "pra sempre";
Dos nossos sonhos;
Dos nossos planos inacabados, que nunca serão realizados...
que nunca será...
...nunca.


Texto escrito pelo talentoso Dr. Misantropo no tópico de uma comunidade do orkut.