segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sobre o dia do sexo (06/09) e o pinto amigo



Dia 06/09 foi o dia do sexo e fui bombardeado com as milhares de mensagens de "Feliz dia do sexo" em minhas redes sociais. Final do dia estou eu bem vendo minhas atualizações no facebook, quando me deparo com um post num grupo secreto de meninos gays falando sobre o assunto. 

Sarcástico como sou, comentei "Hoje é o dia que todo mundo liga para o PA (pinto amigo) de plantão. Hahaha" e qual foi minha surpresa ao perceber que a MAIORIA dos meninos do post disseram ser contra, ou abominar tal coisa. Não sou o mais santo dos gays, muito menos a Maria Madalena da turma e estou bem longe de ser a Sandy, mas sim, fiquei chocado: gays conseguem ser mais caretas e preconceituosos que muito hétero.

Quando terminei meu primeiro e único relacionamento passei um bom tempo sem conseguir ir para a cama com ninguém. Por vários motivos, mas os principais foram: porque o 'falecido' foi o primeiro cara na minha vida e ainda gostava do dito-cujo e porque eu simplesmente não conseguia ir para a cama com alguém que não era meu parceiro.

Levei um tempo para me livrar dos meus próprios preconceitos e pré-conceitos e conseguir transar com outra pessoa, mas essa não é a questão. Fui conversar com alguns solteiros, já que a camada puritana me surpreendeu ao condenar o uso do bom e velho PA. Quanto tempo exatamente um gay consegue ficar sem sexo? É tão condenável assim ter um pinto amigo, ou como outros dizem, uma farmácia de plantão (só ligar e em breve estará satisfeito com o que precisa)?

Consenso: a maioria dos meninos consegue ficar sem sexo tranquilamente por uma semana, na segunda um reloginho muito filho da mãe começa a tiquetaquear entre as pernas fazendo uma simples espreguiçada daquele colega de trabalho mais magia parecer um verdadeiro suplício de se assistir e impossível de conseguir ver e em seguida levantar e sair andando tranquilamente (se é que vocês me entendem... rs). Lógico que há exceções de meninos que conseguem passar mais tempo sem sexo, mas de modo geral, após a segunda semana você fica mais irritadiço e a tão conhecida ereção matinal deixa de ser fácil de controlar. 

Nessas horas vale tudo: respirar fundo, ver um bom BelAmi na solidão do seu quarto, fazer o ser superior e fingir que não precisa de sexo ou simplesmente pegar o telefone e ligar para aquele cara legal, que te entende muito bem, obrigado, na cama; que conversa com você o necessário para manter a intimidade e o básico para não terminar se afeiçoando.

Você pode até condenar quem recorrer aos PA's da vida, mas uma coisa é fato, mais dia, menos dia, você não se basta e seu corpo começa a implorar por mais do que sua mão, por mais do que lubrificante e a necessidade de troca de fluidos com qualquer outro ser humano fala mais alto. 

É necessário ser muito seguro de si e maduro para abrir sua intimidade (e quem sabe outras coisas também) para outra pessoa; é preciso saber que é apenas uma forma de entretenimento adulta e sadia o que está acontecendo entre você e seu PA e que assim que aquele momento, mais humano impossível, acabar ambos voltarão para suas vidas com as baterias recarregadas e o respeito pelo cara que te ajudou a se livrar daquele tiquetaquear infeliz que te atormentava. 

No fundo, a diferença entre quem recorre ao pinto amigo e quem não recorre está no grau de liberdade que tem consigo mesmo. 



(Continua...)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Recuceteio - A prática



Quem frequenta a noite gay em São Paulo sabe muito bem o quão pequeno o mundo pode ser. Pois é, numa das maiores capitais do mundo a quantidade de ficantes, amigos, 'affairs' e afins que se conhecem e/ou já ficaram entre si é altíssima.

Numa noite dessas fui parar numa balada qualquer com um amigo, nós dois, os únicos solteiros do grupo, resolvemos literalmente atolar o pé na jaca. Demos um 'perdido' nos amigos comprometidos e caímos nos braços do José Cuervo.

Algumas horas depois, eu fiquei com um rapaz que me parecia familiar, mas não tinha muita noção onde tinha visto o ser anteriormente, também não tinha muito sentido ficar pensando nisso visto meu estado etílico. Minha surpresa foi quando perguntei seu nome e o combo nome mais sobrenome me atingiram feito balas de um 38: ele era ninguém mais ninguém menos que o recente ex-namorado de um conhecido meu, conhecido este que deu muito em cima de mim enquanto namorava com o meu ficante da noite, vale lembrar que tudo isso aconteceu enquanto eu ficava com o melhor amigo dele. Entenderam?   

Eu repito: fiquei com X, X era ex-namorado de Y, Y dava em cima de mim enquanto eu ficava com Z, que era o melhor amigo de Y e eu nunca tinha visto X pessoalmente, só por fotos, visto que meu rolo com Z não durou mais que um mês. A situação como um todo rendeu: conversas tensas via facebook, dores de cabeça e um desafeto. 

Dias depois, durante um chocolate quente no Starbucks, expliquei a situação ao mesmo amigo solteiro que me acompanhou na balada, demos algumas risadas sobre a situação e em seguida paramos para pensar na quantidade de pessoas em comum que já ficamos ou que conhecemos e ficaram entre si. Taxas altíssimas. No nosso grupo de amigos, por exemplo, já rolou uma rotatividade louca nos tempos de solteirisse geral da galera.

Definitivamente, colocar a vida afetiva ou sexual em atividade, em uma cidade como São Paulo está cada vez mais perigoso: o risco de nos magoarmos ou de magoar alguém que conhecemos ou alguém que um conhecido nosso conhece é muito grande. 

Só resta rezar para que o próximo affair não conste nos históricos de nenhum outro conhecido e se constar, minha recomendação é: FUJA, nem olhe para trás, isso pode dar muita dor de cabeça. Para o seu bem e das suas noites de sono, pratique sexo seguro: só se envolva com quem não está nos históricos dos seus afetos, evite desafetos posteriores. 

domingo, 11 de setembro de 2011

E assim está bom, assim ele está bem.



Ele tem passado seus dias daqui para lá, do acadêmico para os braços de Morpheu, para a labuta, para Sobotta, West, Nitrini, para a labuta e Morpheu novamente, sem pensar nas artimanhas que Afrodite possa estar preparando, sem lembrar pelo que ela já o fez passar.

Vestiu sua melhor máscara e saiu, raramente a tira, mesmo quando Morpheu chega. O coração ficou guardado em alguma gaveta, entre uma anotação do Nitrini e do West. O cérebro tem sido seu principal órgão e quando lhe falam novamente de corações, a primeira coisa que lhe vem à mente são as imagens do Sobotta. 

O veneno do escorpião saiu de suas veias. Só há sangue, nada mais. Solidão não existe, muito menos tristezas. Voltou a ser menino e a cidade é seu playground.