terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ele poderia...

Ele acorda no meio da noite com o barulho dos carros lá embaixo, alguns andares abaixo de seus pés, numa rua que não é a sua. Se levanta e vai até a janela, puxa a cortina e olha: São Paulo a noite... 

Na cama próximo dele o outro dorme, o outro que poderia muito bem ser 'O' único, mas é perfeito demais para ficar com alguém tão 'fodido' de histórias anteriores como aquele que estava acordado. Fodido de histórias anteriores, de uma grande história anterior. 

Mas quem estava deitado também tinha história, mais do que aquele que estava cordado e talvez por isso, por ele parecer tão seguro e forte mesmo após tanta tempestade, nosso jovem acordado sentisse tanta admiração. 

Vontade de fumar, mas o jovem não fuma e quem dorme não gosta de cigarros. Aquele vazio corroendo. Os estudos já não tem o mesmo ânimo, o trabalho é apenas para garantir as fugas da realidade nos finais de semana, em casa: mudo e a máscara de que está tudo bem sempre sendo usada. 

Qualquer um que olhasse diria que o acordado é um sortudo, mas então, por qual motivo ele estava acordado às 3 da manhã, fora de casa, só de cueca, procurando por algo que nem ele mesmo sabe o que é?

Está tudo errado e ele não sabe como corrigir. Não sabe quando começou a errar, quando perdeu o rumo, por mais que se esforce para lembrar. 

O que dormia se vira na cama e sentado ao longe, o acordado observa o contorno do corpo do outro sob o lençol, iluminado pela luz fraca que teimava em entrar pela fresta da cortina que já tinha sido fechada. E a admiração que ele sentia cresceu, virou um carinho tão grande que ficar fora da cama incomodava. 

Voltou para a cama. Sem cigarros, sem ambições, levemente sem esperanças e então o outro vira, passa o braço pela cintura dele e diz: "Senti sua falta aqui..." Um beijo na nuca. É, ele poderia sim, ser 'O' único...

domingo, 4 de dezembro de 2011

"É, mas tenho ainda muita coisa pra arrumar, promessas que me fiz e que ainda não cumpri. Palavras me aguardam o tempo exato pra falar, coisas minhas, talvez você nem queira ouvir..."



Nosso tempo não chegou, ou talvez ele tenha passado. Me perdoa, é que depois de tudo o que já aconteceu entre nós e de todo o tempo que passou eu fiquei assim, meio acostumado a ser dependente da minha independência de você. 

Ainda que a força, a gente aprende a amar com o cérebro, porque assim vai doer menos.