quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Aleatório



Minha mãe não sabia que eu escrevia uma 'coluna', nem que tenho esse blog. Até dias atrás, quando mostrei à ela meu último post no SouG e a reação de Dona Vilma pro post foi: "CARALHO!". Fiquei meio com cara de 'ué', sem saber como encarar a reação, mas visto que mamis é um tanto crítica desencanei e levei como algo espontâneo/positivo. Daí chego no meu trabalho e a recebo (de uma colega de trabalho aleatória) um elogio sobre o tal post da semana, seguido de um "De onde sai a inspiração?". A resposta: "Sei lá!"

A verdade é que escrever sempre foi um tanto orgânico. As vezes estou no metrô, com a cabeça pensando em nada em particular quando uma cena comum me chama atenção ou alguém que passa me dá um norte para sabe-se Cher o quê! Ou então, no meio da madrugada, o sono vai embora e vem aquele funiquito incontrolável e eu me pego encarando a página em branco do word com o cursor piscando. 

Escrever, por um tempo, foi válvula de escape pra superar algumas frustrações típicas do começo da casa dos 20. Hoje em dia, nem sei mais dizer o que escrever é pra mim, mas não é uma obrigação, nunca foi e espero que nunca se torne. 

O engraçado que nunca me perguntei do "por que" escrevo e quando paro para pensar não chego a uma conclusão exata. Talvez seja por narcisismo, por querer meu ego inflado, para tentar desafogar minha cabeça ou talvez para afirmar para eu mesmo que no mundo há mais gente que pensa/sente o que eu penso/sinto e talvez assim não me sentir só (nas raras vezes que me sinto). 

Hoje, me perguntaram quando sai minha próxima crônica pro SouG. A resposta foi um sincero 'Não sei.' e voltei para casa do trabalho, embaixo de chuva e matutando 'Por que escrevo? De onde vem a inspiração?'. Continuo sem saber. 

Talvez só saiba o dia que não puder mais escrever, mas enquanto eu tiver a mínima certeza que alguém me lê e me entende, vou continuar encarando o cursor piscando filhodaputamente a rir da minha cara, porque essa sensação de 'gratidão' inexplicável que tenho ao postar, não tem preço.

Nota do autor: um sincero 'obrigado' a todos os 'desconhecidos' que passam por aqui e/ou no SouG. Sim, os comentários-curtidas-compartilhamentos-emails de vocês fazem bem e não tenho como expressar o quanto fico contente com eles! 

sábado, 17 de novembro de 2012

Só um sonho...

Tenho esse 'sonho' de lá por volta dos 30, poder acordar num sábado de manhã, sem absolutamente nenhuma preocupação e poder ficar na cama, com você deitado ao meu lado ainda dormindo. 

Vou sair da cama em silêncio e fazer café com o rádio ligado baixo, porque eu não sei fazer nada sem um pouco de barulho. Depois, voltarei pra cama com minha xícara de café, livro e óculos. Você continuará dormindo até tarde, porque não gosta de acordar cedo e eu vou deixá-lo dormir porque mesmo depois de tanto tempo juntos ainda aprecio toda a quietude de estar comigo, mesmo não estando de todo sozinho. 

Vou ler e entre uma página e outra, te assistir dormir de costas pra mim e ainda assim vai ter uma perna insolente em cima da minha, porque com a gente as posições mais desconfortáveis para dormir acabam sendo as melhores. 

Por volta do meio dia você vai acordar e assim passaremos a tarde: entre lençóis, suor, saliva e aquela felicidade que todo mundo quer, mas que só a gente parece ter e guarda como todo cuidado possível.  



segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mom gone wild



Sua mãe acorda no dia de folga e enquanto arruma o quarto grita: 

Ela: Aaaaaaaaaaaaaaaaalan,ouvi no rádio uma música que fica "Hey ey ey heyey eh eh" quem canta? É Madonna? Você conhece?
Eu (grito do meu quarto): Sim, mãe, é Madonna. 
Ela: É, senti um "Q" de Madonna mesmo. Coloca ela pra tocar alto?
Eu: Tá bom... (Dou play no remix do Offer Nissim)
Ela (entra no meu quarto jogando o ombro): Noooooooooosa! Contagiante essa versão. Passa pro meu celular? 

Tem como não amar?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Chasing Pavements




Quem já leu o meu perfil aqui do blog, sabe que sou um fisioterapeuta em construção. Isso mesmo, um estudante de fisioterapia. Com orgulho. Até certo tempo atrás.


A verdade é que em pleno sexto semestre da faculdade eu resolvi pendurar as chuteiras. Acordava todos os dias para aula e não e sentia fazendo parte daquele mundo de jalecos, radiografias e estetoscópios. Nunca me senti tão perdido.

Não quero parecer insensível, mal agradecido, nem nada, só não quero passar o resto dos meus dias ouvindo reclamações de pessoas que não conseguem agradecer por estarem vivas; assim como não quero lidar com profissionais frustrados com síndrome de 'sou médico'. 

Nem sei exatamente em qual aula, atendimento ou estágio meu encanto morreu e passei a não mais me sentir apto para continuar o que tinha começado, só sei que por agora, tenho um semestre de descanso. Talvez retomar aulas de inglês para desenferrujar, tirar minha carta de motorista e economizar para minhas tão sonhadas férias internacionais no ano que vem.  Talvez daqui a alguns meses eu venha a me arrepender. Talvez não. 

Profissionalmente não me sinto nada bem. Novas perspectivas tem aparecido no horizonte, ou melhor, voltado ao horizonte. Perspectivas que me apareceram aos 17, às vésperas do vestibular. As vezes, pergunto-me os motivos pelo qual resolvi cursar oque cursei até agora. Não consigo encontrar a resposta disso mais. 

Pensando pelo lado positivo: não serei mais um fisioterapeuta que pensa em lotar o bolso de dinheiro sem realmente tratar seu paciente, como vi MUITO por aí. Eu desisto. Vou procurar novas calçadas pra andar, novos caminhos, vou procurar meu lugar e sei que mais cedo ou mais tarde vou encontrar. 

O futuro? Incerto. Sempre foi. A única certeza: fevereiro volto para o primeiro ano de algo que nem assumi a mim mesmo que vou cursar, mas que sempre teve muito a ver comigo. Desejem-me sorte!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Padrões #OldButGold



Sou do tipo de pessoa que vê graça onde normalmente a maioria não vê Não que meu senso de humor seja apuradíssimo, longe disso, sou até que normal. Sarcástico na medida do possível e observador na maior parte do tempo. Nasci assim: observador nato, taurino convicto. Posso até fingir que não vi, que não entendi e que não é comigo, mas vi, entendi e aqui dentro já tem um plano traçado e em andamento a muito tempo; mas a questão não é essa.

Nessas observâncias que as vezes me pego mergulhado, comecei a perceber que invariavelmente repetimos padrões. Como num ciclo vicioso. E vi graça nisso. Eu explico: seu atual pode parecer extremamente diferente do seu ex, mas no final, se olharmos detalhadamente, ambos se parecem. Seguem um padrão. Seu padrão.

Você repete um padrão e se parar para olhar os álbuns da vida irá perceber que até você, para muitos, também é um padrão. Estamos fadados. Fomos padronizados.

Nota do autor: escrito no dia 18 de março de 2012. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O que preciso #OldButGold



Cansei dessa história de só poder ser completo se for a dois. Não vou mentir que ter alguém é bom, mas melhor ainda é poder acordar e sentir-se excelente consigo mesmo. Por estar solteiro porque assim o quer e principalmente porque o caso de amor que tem entre você e seu outro você é MUITO mais proveitoso do que qualquer affair que você já tenha tido. 

Seria mais fácil se falasse que estou solteiro porque continuo com o coração partido, mas não estou. Estou é apaixonado, por mim. Estar eternamente apaixonado por si é poder ouvir o maior elogio, do cara mais gato, agradecer e sorrir, poque você sabe que ele está falando exatamente o que você já sabe desde o momento que abiu os olhos pela manhã. 

Estar acompanhado? Só se for de alguém que me transborde e que não mude essa eterna sensação de liberdade que tenho carregado. Completo? Sou sim, desde que nasci. Tenho tudo o que preciso comigo. 

Ps: escrito em 23 de abril de 2012.

sábado, 4 de agosto de 2012

Eu, eu mesmo e ele

Esses dias andei revirando uns posts antigos no meu Facebook feat. relendo uns rascunhos meus espalhados pelo quarto e acabei me apaixonando por mim novamente (é, auto-estima está alta Hahahaha). Surgiu então a necessidade de dividir esses momentos de lucidez inconsciente, ou nem tanto assim, com quem por ventura passa por aqui. Está aberta a sessão: old but gold do "Crônicas de um sobrevivente".



O bom de estar solteiro é poder fazer o quê bem der vontade sem precisar dar satisfação a absolutamente ninguém. Você simplesmente passa a mão no telefone, chama a amiga fervida e cai no mundo. Simples assim. Eu poderia perder meu tempo doando atenção para um outro no meio da balada, dar um beijo ou outro e virar as costas como já fiz várias vezes em outras épocas, mas não. Quer saber? Estou bem comprometido em me fazer feliz para perder tempo repetindo o roteiro de 'balada-cinema-conversa-msn-vazio-toco'. Quem por ventura aparecer, vai ter que entrar sem bater e ainda aceitar um relacionamento a três: eu, meu amor próprio e ele. 

Ps: escrito originalmente dia 19/05/2012. 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Hoje



Dois anos atrás, escrevi uma crônica, para o blog de uma amiga chamada "My missing puzzle piece" e um tempo depois dela ter nascido, postei aqui no Crônicas por achá-la super atual. Não sei se quem me lê se pergunta como andam os 'personagens' que uma vez apareceram aqui, mas se você leu, e se perguntou, hoje, lhe presto contas.

X passou pela face de caça desesperada por um namorado e depois de algumas frustrações desencanou, viajou pela europa por um tempo, focou no trabalho e em seu TCC e hoje em dia, namora X2. X já conhecia X2 a dois anos e por incrível que pareça ambos eram e são meus melhores amigos. Hahahaha O casal do meu coração! 

Y deixou a fase de 'namoros de experiência' e finalmente tem um 'namoro de carteira assinada' com um boy magya que conheceu numa balada. Casal mais fofo impossível! 

Z por um bom tempo manteve os contatos sexuais com outros caras, depois parou de reclamar da futilidade disso, com mais tempo parou de usufruir de tais contatos. Uma freira seria mais libidinosa do que Z no começo deste ano. Enquanto curtia uma abstinência sexual de alguns meses e de não pisar numa buatchy a 1 ano e alguns meses, Z finalmente se tornou o bombadinho-bom-moço de plantão e atualmente se encontra casado com um quarentão que não é nada parecido com os caras do seu histórico, mas está uber feliz.

E eu, caros leitores, bom, esse que vos escreve tem passado por uma fase excepcionalmente boa. Foi difícil, mas reconheci que meu Humbert-Humbert, vulgo "Ele", dava mais importância aos 10 anos que separavam nossas datas de nascimento do que eu queria crer e assim me despedi da minha fase "Lolito". 

Aprendi muita coisa pra não reconhecer a importância que ele teve, mas acima de tudo aprendi que as vezes o 'não resolvido', resolvido está. Vou sempre ter um carinho especial pela pessoa, daqueles carinhos que me fariam largar tudo numa segunda chuvosa pra esvaziar um copo de cerveja no bar ouvindo os problemas dele. 

Ele poderia ter sido meu "Prince Charming" e seria lindo se o tivesse sido, mas por alguma ironia do destino acabei nascendo com alguns anos de atraso...   

Ironia do destino mesmo foi que a meses atrás uma amiga me disse: "Você precisa de um taurino pra te domar. Outro igual você. Seu gênio não é qualquer um que aguenta ter do lado."  Eu, como de praxe, desdenhei dela e numa dessas curvinhas da vida: PLUFT! Conheci "O Taurino". Vulgo, atual namorado. Dentro do meu padrão: branco de doer, olhos esverdeados, barba quase sempre por fazer e aquele sorriso de deixar zonzo...

Tem sido tudo leve, natural, diferente. É bom encontrar felicidade em ver ele cozinhando pro jantar numa quarta a noite qualquer, em receber a ligação de 'bom dia', em fazer planos pro futuro e acima de tudo é sensacional ver ele capotado do meu lado ou enroscado em mim em pleno sábado a noite depois de rirmos por bobagens a ponto do ar faltar e a barriga doer.

Apesar das cicatrizes e sequelas do passado o coração do taurino aqui não parou de bater e ainda consegue se aquecer com pequenos gestos, ainda pode definhar um pouquinho de saudade cada vez que ele viaja a trabalho para depois se sentir flutuar vendo ele todo sonolento e morto de cansaço porque fez questão de me ver no mesmo dia que voltou de viagem. 

Ainda bem que a vida tem dessas... 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

You should meet my mother


Venho adiando faz tempo falar de uma pessoa aqui que é fundamental na minha vida: minha mãe. Passou o dia das mães, o aniversário dela e a inspiração simplesmente não vinha. Não fluía. Surgiam frases separadas que não se comunicavam; não formavam uma crônica. Não diziam o que eu queria, nem se fariam sobreviver. Hoje, 14 de junho, às 01:55 da manhã, enquanto minha mãe estava capotada de sono no cômodo ao lado, um filme me deu a inspiração que faltava. Que filme? You should meet my son. 

Nele, uma mãe tenta desesperadamente casar seu filho balzaquiano sem saber que o 'colega de quarto' dele, na verdade, é seu companheiro. O relacionamento deles termina, a mãe descobre que o filho é gay e decidida a não ver seu filhote 'morrer sozinho', ela supera a frustração de suas expectativas e sai numa busca desenfreada por encontrar um 'príncipe gay encantado' pro seu pupilo. O filme rende boas risadas, vale a pena conferir, mas o que realmente tenho a dizer é: you should meet my mother. 

Faço o trocadilho com o nome do filme, porque se nele a mãe tenta apresentar o filho pra todo mundo, eu tenho vontade de apresentar minha mãe. Não, ela não precisa de um namorado. Na verdade, está casada com meu pai a bons 25 anos e eles se conhecem desde os tempos de escola, estudaram junto, com direito a todos os clichês de adolescência: ela detestar ele, ele ser popular, ela nerd, ela melhor amiga da irmã dele e por incrível que pareça, terminaram juntos e com dois filhos (outra coisa que nunca falei aqui: tenho um irmão, mais novo! rs)

Nascida em 1966, no interior de pernambuco, mamis é dona de olhos castanhos claros que desde pequeno sempre me fascinaram. Ela sabia fazer meus medos irem embora e ao mesmo tempo conseguia me repreender em meio a uma multidão sem abrir a boca. Uma coisa que aprendi desde cedo é olhar nos olhos dela: eles mudam de cor de acordo com o humor e quando se lida com uma geminiana nata, isso pode ajudar e muito a gente sobreviver! Verde para dias bons, caramelo para dias extressados e marrom claro para dias tensos...

Branca de doer, com os cabelos pretos, lisos na raiz/ comprimento e levemente ondulado nas pontas e com a força de um exercito reunida em 1,65 de altura ela sempre foi uma excessão no 'meio' que foi nascida e criada. Primeiro porque nunca teve o sotaque típico da região, segundo porque por mais sol que tome não se bronzeia e a fibra que carrega consigo nunca deixou dúvidas de que a cidadezinha que tinha nascido era pequena pros seus sonhos.

Não consigo imagina-la vivendo em outro lugar que não seja SP! A cidade é ela e ela parece sempre ter feito parte daqui. Lembro que quando contei a ela que era gay, aos 16 anos: passamos por tempos difíceis,  mas juntos e hoje em dia, retomamos a liberdade que sempre tivemos um com o outro e mais do que nunca tenho a certeza que se a história de 'almas gêmeas' for mesmo verdadeira, meu pai é casado com a minha tem 25 anos. 

Engraçado que enquanto as crianças da minha idade eram coladas nas mães, eu vivia viajando com minhas tias e avós para depois voltar e contar tudo para mamis; somos assim desde sempre: mais amigos que mãe e filho. Lembro dela fazendo uma boneca de pano, do meu tamanho, para dormir comigo no meu primeiro quarto quando eu tinha 5 anos. Lembro como se tudo tivesse acontecido ontem e já se passaram 17 anos. Lembro dela tirando minhas dúvidas sobre sexo porque enquanto meus amigos recorriam uns aos outros e às experiências cegas para acalmar os hormônios, eu recorria à minha melhor amiga desde quando eu tinha nascido. E como ríamos juntos na minha adolescência assistindo 'Ponto P'. 

Ela me aconselha, quer saber como foi a última balada, pergunta dos meus rolos de solteiro, quer conhecer meu atual namorado, é militante, vai no mesmo hair stylist que eu em plena Rua Augusta, conhece meus amigos, interage-aconselha-ri com eles, mantêm o bom humor até quando eles derramam cerveja nela, adora passear por entre os bares gays da frei, trata meus amigos como se fossem filhos dela e acima de tudo, NUNCA escondeu o amor que sente por mim. 

Não tenho como não  me sentir orgulhoso ao passear com ela pela Av. Paulista numa terça a noite despretenciosa. Não tenho com não morrer de gratidão a o que quer se seja por ter essa mulher maravilhosa como mãe e não tem como não ter vontade de dizer a todos que 'vocês deveriam conhecer minha mãe"! 

sábado, 23 de junho de 2012

Ainda bem




Vocês vão se conhecer e tanto um quanto outro estarão tão magoados ou descrentes do passado que não se levarão a sério, mas mesmo assim se verão com frequencia.

Ele vai sentir medo de estar indo rápido demais; você, vai rir da pressa dele; ele vai conhecer seus amigos e entender que eles são parte importante de você porque você deve parte de quem é a cada um deles; você, vai morrer de curiosidade de saber o passado dele, mas não vai perguntar porque acredita que tudo vai vir ao seu conhecimento na hora certa.

Ele vai te acompanhar até onde você não acredita que ele acompanharia; você vai se surpreender sentindo falta dele na hora de dormir; ele, vai sentir ciúmes do teu passado; você, vai negar cada possibilidade de ficar com outro cara que não seja ele em nome do futuro; ele vai rir das piadas mais idiotas que você fizer e você vai achar ele a coisa mais fofa do mundo quando faz aquela cara de insolente que você só viu nele.

E assim os dias passarão... Mais dia menos dia, vocês se pegarão rindo das mesmas coisas, dividindo gostos, compartilhando silêncios, até que surgirá aquela hora em que vocês não são nada, mas ao mesmo tempo serão mais do que ficantes e um pouco menos que namorados.

Você não sabe, mas talvez, ele seja o melhor namorado do mundo, daqueles saídos de comercial de margarina; do tipo que vai ouvir seus problemas, te levar café na cama e vai te fazer cafuné enquanto vocês assistem qualquer coisa na tv, apenas para passar o tempo.

No final das contas, você vai achar ele lindo mesmo ele tendo acabado de acordar com os restos da pomada para modelar cabelo fazendo a obra de arte mais exótica nas madeixas dele e ainda assim ele vai sentir um tesão doido por aquele cara de barba por fazer e cara amassada da noite anterior que você recusa-se a acreditar que seja realmente você.

Há quem diga que esse tipo de homem perfeito exista. Eu arrisco dizer que não existe, porque com o tempo, a gente descobre que ele é como qualquer outro cara que você vai encontrar por ai. Correndo, pegando o metrô, pagando contas, estudando, com a única diferença de que ele sim, mesmo com todos os defeitos do mundo, poderá te fazer o cara mais feliz do mundo, se você deixar.

É, to tentando...  

domingo, 3 de junho de 2012

Efeitos de um dia nublado

Imagem via Sailingfree
Hoje por um segundo senti sua falta, talvez porque o dia estava nublado e frio. Dias assim me deixam sensível, você bem sabe.

Acordar em minha cama vazia, em meio à bagunça de lençóis, roupas torcidas e meu infinito particular, me trouxe o flash de quando você preenchia minha cama e todo o resto também, inclusive a atmosfera do ambiente, que ia alterando-se aos poucos quando sabia que estava perto de você chegar.

Dormir sem o peso de  suas pernas sobre mim e sua mão no meu peito fez eu me sentir estranhamente só, abandonado feito criança largada pelos pais em porta alheia. Falta você me abrançando no meio da noite, falta seu calor maior que o do Sol sob o peso dos meus cobertores e me encolher não aquece, não faz o frio passar, talvez porque tudo aqui está congelado, deserto e deprimente.

Ainda na cama virei para o lado oposto, aquele em que você dormia e fiquei ali, olhando o vazio, com você me incomodando, sentindo sua ausência de um jeito tão forte que por si só já era uma presença. Não sei explicar o porquê me deprimo tanto em dias frios, chuvosos e nublados, você bem sabe, talvez seja frescura, mas é justamente em dias assim que sinto falta de quando você chegava como meu Sol particular e aquecia tudo, mandava todo o mal embora .

Hoje, mais uma vez me prometi que seria a última vez que sentiria sua falta, ainda que por um segundo. Lembrei de você, do que tínhamos e não tinha explicação, tampouco tinha nome, mas que entendíamos muito bem cada vez que você me abraçava ou pelo simples jeito que nos encaixávamos na hora de dormir.

Mesmo sem sua mão em meu peito, sem sua respiração no meu pescoço, sem suas pernas nas minhas, sem sua presença e sem seu calor, eu sigo em frente, meio frio e nublado, exatamente igual o dia que terei de enfrentar.

Nota do autor: Texto originalmente escrito em maio de 2010. Na época, uma ferida aberta. Hoje, mais do que nunca, uma cicatriz. Não dói, nem incomoda quando o tempo vai mudar. Ver você bem com outro e não ficar mal por isso, fez eu me sentir estranhamente bem. Nem me pergunto mais porque não me deixas quieto. Eu criei minha paz. Boa sorte.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O tempo que passa



Ele perdeu tudo o que achou que estaria com ele para sempre. Ele mudou coisas que não gostaria de mudar, mas que foi obrigado a mudar e por várias vezes se sentiu jogado ao olho do furacão e tudo girava de uma jeito tão forte que ele praticamente não lembrava da sensação de ter os pés em terra firme.

E caiu, o furacão passou, mas os destroços eram tão grandes, tão incalculáveis que ele não tinha nenhuma vontade de limpar a bagunça, de limpar os ferimentos ou procurar por conhecidos. Depois de muito tempo, ele conseguiu achar um espelho em meio aos destroços e o rosto que estava ali não era mais o dele. 

Carregava uma amargura calada, uma fúria tão grande quanto a que o colocou nos ares. Então saiu, andou, procurou, bebeu quase até a morte... Por muito tempo, ele simplesmente passou os dias como quem acreditava que os machucados causados pelo furacão não poderiam doer mais. 

Só muito tempo depois que o furacão passou, ele percebeu que na mesma data do furacão foi a data de um nascimento. O nascimento da nova versão dele, a versão que o acompanharia pelos próximos anos.

A versão realista, pisada e perdedora dele. A versão que ele teria que moldar se quisesse um dia se sentir inteiro de novo. Não sabia como começar a moldar, então deixou aquela versão largada por um tempo, sem vontade nenhuma de mexer nela.

E então, quando não mais aguentava ficar parado o céu fechou novamente, não para um furacão só para uma chuva, uma tempestade das que lavam tudo e deixam o céu limpo depois.

Ele precisava ver para acreditar e apesar de não mais acreditar, sentiu a chuva levar tudo de pesado que ele carregava; então, compreendeu que apesar de não saber o que fazer com a nova versão dele, ele precisaria acreditar no que tinha em mãos, acreditar em quem tinha se tornado.

domingo, 6 de maio de 2012

Depois

Vocês se conhecem, se apaixonam, passam anos juntos, se abandonam, se magoam, se odeiam, se amam... Vocês seguem caminhos diferentes. 

Um encontra um novo amor, faz juras ao novo e espalha aos quatro cantos a perfeição do novo amor; o outro, prefere não chamar de 'amor' o que não sabe se verdadeiramente é e cultiva a paz calma de quem se acostumou a ficar consigo mesmo.

O Um, não deixa o Outro em paz. Por qual motivo? A essa altura do campeonato, tanto faz, o Outro só quer seguir seu caminho. Com o Ele ou sozinho.

 

Nota do autor: O Falecido reapareceu. Não sacodiu, só deixou o Taurino aqui matutando "Se o atual é tão perfeito, por qual motivo então, ele continua atrás do tão cheio de defeitos aqui?" Vai entender esse povo... Ele voltou de viagem esse final de semana. Ainda não nos vimos, pra ser honesto, mal nos falamos esses dois últimos dias. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ele

Dias atrás, estava conversando com aquele que mais tem chances de ocupar o cargo de 'namorado do Alan', quando ele me enumerou uma séria de nomes de ex namorados. Sim, ele é mais velho que eu, novamente tem lá sua barba por fazer, um charme incontestável, é bom de papo, me faz rir, tem o maxilar quadrado que me mata, é cheiroso como ninguém e faz com que eu me sinta excepcionalmente bobo sentado no seu sofá enquanto acompanho ele escolher o que vai vestir para ir trabalhar. 

A questão é que após a conversa, fiquei me perguntando se todos aqueles caras que sustentavam título de 'ex' dele, ele realmente amou. Aquele amor cego, doido, que toma cada célula da gente e quando reparamos já está mais no controle do que nosso próprio cérebro. Quantas vezes na vida somos capazes de amar de verdade?

Tive um grande amor na minha vida. Amor este que deixou uma porrada de cicatrizes, de neuras, de mágoas e respostas reflexas que até hoje andam comigo. Não tenho como isentar todas as etapas boas, nem as ruins desse amor passado, assim como não posso dizer que não aprendi nada com o final dele. 

Eu vinha sofrendo incontestáveis e incontáveis processos de auto-destruição e reconstrução para deixar 'ele' para trás e justamente nessa época conheci o 'atual-possível-namorado'. 

Ele surgiu do nada, eu não botei fé, terminamos na cama e como dois bons filhos de Afrodite, nos entendemos excepcionalmente bem. Temos transado como dois desorientados. Não somos namorados. Ele sorri satisfeito desde então. Eu também.

Ele, falante e expansivo; eu, observador e mais calado; ele, admira beleza e estética; eu, até admiro a beleza, mas não tenho muita paciência pra vaidades; ele, viajado e estável; eu, só conheço o nordeste do brasil e não tenho onde cair morto; ele, trintão com espírito jovem; eu, jovem com amarguras de um velho; ele, era pra ser só sexo; eu, sai me repetindo isso e acho que perdi o controle e terminei me encantando por quem deveria no máximo virar pa.

Foi dia desses que percebi que já surgia um sorriso quando chegava um sms, que sentia falta quando ele não aparecia, que esperava o 'boa noite', que aquele apelido que ele me deu já soava como música e que o sexo já não era mais o prato principal, porque na verdade esperava pelo sexo, mas ficava mais encantado  mesmo por poder ter ele respirando no meu pescoço no meio da noite, seu braço me envolvendo, sua perna no meio das minhas e um pé próximo do meu no meio da madrugada que só era fria porque seu ar condicionado estava trabalhando loucamente. 

Só quando percebi tudo isso foi que me dei conta que não mais sofria pelo 'primeiro amor', que eu já tinha superado e que finalmente, eu estava com medo de perder alguém que eu nem tinha...

Talvez eu seja só viciado em sofrer. Como aquelas mocinhas de novela mexicana. Talvez seja carência minha. Talvez ele nem faça idéia que me deixei cativar. Talvez eu conte a ele tudo que se passa aqui. Talvez ele nunca venha a saber... 

Só sei que em algumas horas, ele estará em um avião e horas depois em outro país, mas em alguns dias estará de volta e agora, estou acordado escrevendo o que gostaria que ele soubesse; sei que só escrevo porque no fundo ele não irá ler; sou covarde o suficiente para não mostrar isso pra ele e orgulhoso em demasia pra assumir que vou sentir falta dele enquanto ele estiver fora.

Assim, deixo aqui registrado tudo o que gostaria que ele soubesse. Tudo que eu diria numa daquelas despedidas dignas de cinema em frente a um portão de embarque qualquer. A viagem existe, nós existimos, o portão de embarque provavelmente também exista, mas a cena de cinema não existirá, nem nossa despedida. Deixa, nunca fui bom em despedidas mesmo...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sou G

Alguns leitores mais próximos tem me perguntando o motivo do meu sumiço pelas terras do Crônicas. Não, não estou namorando, muito menos abandonei a escrita, nem estou em crise. Hahahaha Pra ser sincero, ocorreram algumas mudanças de quesito profissional que tem sugado todo o meu tempo e junto com isso uma proposta para escrever em outro espaço. 

Sempre encarei escrever como uma maneira de colocar para fora, de desabafar, de tornar as coisas mais reais, menos doloridas e até mesmo uma via de crescimento. O fazia para entretenimento e só alguns amigos mais chegados liam minhas baboseiras. Minha surpresa, foi que outras pessoas leram e aparentemente, também gostaram e assim, nasceu o Crônicas a um ano e pouco atrás e a pouco mais de um mês, o Crônicas me rendeu um 'convite' para escrever em outro lugar.

Aos interessados, passem na parte de "Crônicas" do site Sou G e leiam o que já postei por lá. Vale a pena. É uma pegada um tanto parecida com o que já escrevia aqui, mas tem suas diferenças também. 

Os sentimentalismos, verborragias e crises ficaram por aqui. Por sinal, essas fases tem se tornado cada vez mais raras. Talvez seja sinal de maturidade chegando, talvez não. Não garanto. 

Deixei vocês com um os meus textos do Sou G, o "Sem Compromisso". Sinceramente, espero que gostem, que passem por lá para dar um 'Oi' e não esqueçam de passar por aqui, afinal, 'nasci' nesse espaço e não pretendo largá-lo.

Sem compromisso


Se você é solteiro, maior de idade, vacinado, sexualmente ativo e bem resolvido, não deve ver nenhum problema em passar uma tarde, ou uma noite, numa sessão de sexo sem compromisso com um recém conhecido, certo?

Pensemos: é uma prática saudável, queima calorias, faz bem para a mente, melhora o funcionamento das glândulas, evita rugas, relaxa musculaturas e ainda emagrece.

As meninas, que carinhosamente vou chamar de 'sapatans' nos meus posts, além de agüentar mais tempo sem sexo, quase sempre são mais Don Juans: vão com calma, usam e abusam dos galanteios durante a conquista e quando vão pra cama já é praticamente com um namoro engatilhado. Afinal, quem nunca ouviu a piada que uma lésbica já leva o caminhão de mudanças no segundo encontro?

Já nós, meninos, visuais e inquietos por natureza, não agüentamos muito tempo sem sexo, com duas semanas sem, o funiquito já tomou conta. É um caos generalizado e serelepes em sua maioria, não enrolamos muito antes de levar o 'da vez' para cama.

A questão é: e quando você sai da cama do 'da vez' ou ele sai da sua, deixando aquela sensação de 'quero mais'? Nessa hora que muito marmanjo perde o controle, afinal, correr atrás de uma segunda ou terceira vez remete a certo comprometimento; no sentido de baixar a guarda e assumir que o 'conhecido' tem algo que vale a pena dar uma conferida com mais calma.

Transar por vezes seguidas com uma pessoa não significa que vocês estejam namorando, acreditar que estão é dar voz à carência. Porém, quando entre uma transa e outra há uma troca positiva de energias, conhecimentos, experiências e se cria uma conexão bacana, pode ser que o rapaz que eventualmente te leva pra cama não seja apenas alguém que só queria uma descarga de endorfinas.

Talvez seja esse o momento em que você dá um voto de confiança à humanidade e acredita que vale a pena permitir-se se envolver. Afinal, por mais que a oferta no mercado de carnes dos soteiros seja sempre grande, estar comprometido tem lá o seu charme.

Não importa se o seu p.a. ou seu plantonista é sensacional na cama e te deixa sem fôlego. Chega uma hora, que tudo que você mais quer é aquele cara simples, com uma língua esperta, poucas inibições e um quadril treinado para fazer um papai e papai normal, sem acrobacias, sem tapas ou chicotes e que depois ainda vai dormir agarrado em você.

Ah, mas talvez você seja um leitor mais moderno, que não acredita em relacionamentos. Olha, lhe admiro profundamente por também fazer parte do grupo de pessoas que a tempos deixou de crer na redenção através do outro ou na formação de dois para construir um e apagar todo um passado possivelmente negro, mas também preciso lhe dizer que o inverno está chegando e nessa época do ano, chocolate quente, moletom, alguns filmes e um cobertor de orelhas, nunca fez mal a absolutamente ninguém.  

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Speechless





De repente você sente falta daquela ligação umbilical com outro ser humano. Daquelas ligações em que não são necessárias palavras e só a presença dele já é capaz de suprir qualquer necessidade, porque o que se sente é suficiente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

My missing puzzle piece

Passei alguns dias fora. Ao voltar, fui atualizar a prosa com alguns amigos e me deparei com um quadro geral um tanto semelhante: reclamações sobre a dificuldade de se conseguir um namorado. Vejamos:

X namorou dois anos e meio e desde que tudo terminou não conseguiu emplacar outro namoro. Isso já faz um ano. Flertadas casuais. Sexo zero, apenas noitadas sem fim com os amigos e muito etílico pra afogar as mágoas. Reclama que hoje em dia é difícil encontrar um cara que, como ele, queira namorar sério.

Y namorou muitas vezes, mas nenhuma com intensidade suficiente. Nenhum que conseguisse passar os três primeiros meses de experiência. Faz sucesso entre os meninos e reclama de não conseguir um namorado.

Z nunca namorou, não sabe o que é acordar do lado de quem se gosta, olhar 'ele' deitado do seu lado que nem um menino, descabelado, de cara inchada e ainda assim acha-lo a coisa mais linda do mundo. Também reclama que não consegue ninguém sério, só pra contatos casuais (leia: sexuais).

Reclamações devidamente ouvidas e anotadas mentalmente, volto eu pra casa remoendo tudo o que ouvi, na minha eterna mania de analisar as coisas tentando achar resultado pros problemas alheios quando mals consigo resolver os meus próprios.

Depois de muito matusquelar consegui perceber que esses três amigos possuem mais em comum do que o simples fato de serem solteiros e reclamarem por não terem namorado. Eu explico.

Todos são bem resolvidos sexualmente. Assumidos. Com ciclo de amigos super fiéis e presentes. Realizados profissionalmente. Não são modelos típicos de siberianismo social. Frequentam lugares bons, tem bom gosto, boa família, condição financeira estável.

Parei pra pensar por qual motivos três pessoas, aparentemente partidões, continuam solteiras, mas terminei levantando outro questionamento: será que eles realmente precisam de alguém do lado pra serem felizes? Analisando mais friamente, todos são felizes, mas pecam por acreditar depender de outro pra serem completos. Inconscientemente buscam uma versão gay da norma hétero que diz ser necessário ter um protetor de orelha pra ser feliz, realizado.

A tempos deixei de acreditar na redenção por meio de outra pessoa. Não vou mentir que, como eles, também sinto falta de ter um alguém especial, mas não morro por isso. X, Y e Z também não morrem, só cometem o erro de repetir um texto velho, de proclamarem uma necessidade que não perceberam ainda não ter.

No fundo, todos eles são mais completos do que podem imaginar, porque o estado civil 'SOLTEIRO' que tanto atormenta agora, nada mais é do que um meio de torná-los maiores e melhores, preparados pra quando o 'alguém especial' aparecer. Podem até não ter o que querem, mas tem exatamente o que precisam.

Enquanto o príncipe encantado deles não chega, X passa os dias às voltas com o Sr. atitude (que conheceu na última balada), Y suspira por um menino mais novo e Z fica esporadicamente com um trintão. E eu, continuo admirando meus amigos por serem o mais próximo de um relacionamento que eu quero e posso ter atualmente.

P.s.: Texto escrito por mim e publicado inicialmente no Tudo Numa Coisa Soh em 03/12/10... Algum tempo depois quase nada mudou e esse texto nunca foi tão atual.