quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ele

Dias atrás, estava conversando com aquele que mais tem chances de ocupar o cargo de 'namorado do Alan', quando ele me enumerou uma séria de nomes de ex namorados. Sim, ele é mais velho que eu, novamente tem lá sua barba por fazer, um charme incontestável, é bom de papo, me faz rir, tem o maxilar quadrado que me mata, é cheiroso como ninguém e faz com que eu me sinta excepcionalmente bobo sentado no seu sofá enquanto acompanho ele escolher o que vai vestir para ir trabalhar. 

A questão é que após a conversa, fiquei me perguntando se todos aqueles caras que sustentavam título de 'ex' dele, ele realmente amou. Aquele amor cego, doido, que toma cada célula da gente e quando reparamos já está mais no controle do que nosso próprio cérebro. Quantas vezes na vida somos capazes de amar de verdade?

Tive um grande amor na minha vida. Amor este que deixou uma porrada de cicatrizes, de neuras, de mágoas e respostas reflexas que até hoje andam comigo. Não tenho como isentar todas as etapas boas, nem as ruins desse amor passado, assim como não posso dizer que não aprendi nada com o final dele. 

Eu vinha sofrendo incontestáveis e incontáveis processos de auto-destruição e reconstrução para deixar 'ele' para trás e justamente nessa época conheci o 'atual-possível-namorado'. 

Ele surgiu do nada, eu não botei fé, terminamos na cama e como dois bons filhos de Afrodite, nos entendemos excepcionalmente bem. Temos transado como dois desorientados. Não somos namorados. Ele sorri satisfeito desde então. Eu também.

Ele, falante e expansivo; eu, observador e mais calado; ele, admira beleza e estética; eu, até admiro a beleza, mas não tenho muita paciência pra vaidades; ele, viajado e estável; eu, só conheço o nordeste do brasil e não tenho onde cair morto; ele, trintão com espírito jovem; eu, jovem com amarguras de um velho; ele, era pra ser só sexo; eu, sai me repetindo isso e acho que perdi o controle e terminei me encantando por quem deveria no máximo virar pa.

Foi dia desses que percebi que já surgia um sorriso quando chegava um sms, que sentia falta quando ele não aparecia, que esperava o 'boa noite', que aquele apelido que ele me deu já soava como música e que o sexo já não era mais o prato principal, porque na verdade esperava pelo sexo, mas ficava mais encantado  mesmo por poder ter ele respirando no meu pescoço no meio da noite, seu braço me envolvendo, sua perna no meio das minhas e um pé próximo do meu no meio da madrugada que só era fria porque seu ar condicionado estava trabalhando loucamente. 

Só quando percebi tudo isso foi que me dei conta que não mais sofria pelo 'primeiro amor', que eu já tinha superado e que finalmente, eu estava com medo de perder alguém que eu nem tinha...

Talvez eu seja só viciado em sofrer. Como aquelas mocinhas de novela mexicana. Talvez seja carência minha. Talvez ele nem faça idéia que me deixei cativar. Talvez eu conte a ele tudo que se passa aqui. Talvez ele nunca venha a saber... 

Só sei que em algumas horas, ele estará em um avião e horas depois em outro país, mas em alguns dias estará de volta e agora, estou acordado escrevendo o que gostaria que ele soubesse; sei que só escrevo porque no fundo ele não irá ler; sou covarde o suficiente para não mostrar isso pra ele e orgulhoso em demasia pra assumir que vou sentir falta dele enquanto ele estiver fora.

Assim, deixo aqui registrado tudo o que gostaria que ele soubesse. Tudo que eu diria numa daquelas despedidas dignas de cinema em frente a um portão de embarque qualquer. A viagem existe, nós existimos, o portão de embarque provavelmente também exista, mas a cena de cinema não existirá, nem nossa despedida. Deixa, nunca fui bom em despedidas mesmo...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sou G

Alguns leitores mais próximos tem me perguntando o motivo do meu sumiço pelas terras do Crônicas. Não, não estou namorando, muito menos abandonei a escrita, nem estou em crise. Hahahaha Pra ser sincero, ocorreram algumas mudanças de quesito profissional que tem sugado todo o meu tempo e junto com isso uma proposta para escrever em outro espaço. 

Sempre encarei escrever como uma maneira de colocar para fora, de desabafar, de tornar as coisas mais reais, menos doloridas e até mesmo uma via de crescimento. O fazia para entretenimento e só alguns amigos mais chegados liam minhas baboseiras. Minha surpresa, foi que outras pessoas leram e aparentemente, também gostaram e assim, nasceu o Crônicas a um ano e pouco atrás e a pouco mais de um mês, o Crônicas me rendeu um 'convite' para escrever em outro lugar.

Aos interessados, passem na parte de "Crônicas" do site Sou G e leiam o que já postei por lá. Vale a pena. É uma pegada um tanto parecida com o que já escrevia aqui, mas tem suas diferenças também. 

Os sentimentalismos, verborragias e crises ficaram por aqui. Por sinal, essas fases tem se tornado cada vez mais raras. Talvez seja sinal de maturidade chegando, talvez não. Não garanto. 

Deixei vocês com um os meus textos do Sou G, o "Sem Compromisso". Sinceramente, espero que gostem, que passem por lá para dar um 'Oi' e não esqueçam de passar por aqui, afinal, 'nasci' nesse espaço e não pretendo largá-lo.

Sem compromisso


Se você é solteiro, maior de idade, vacinado, sexualmente ativo e bem resolvido, não deve ver nenhum problema em passar uma tarde, ou uma noite, numa sessão de sexo sem compromisso com um recém conhecido, certo?

Pensemos: é uma prática saudável, queima calorias, faz bem para a mente, melhora o funcionamento das glândulas, evita rugas, relaxa musculaturas e ainda emagrece.

As meninas, que carinhosamente vou chamar de 'sapatans' nos meus posts, além de agüentar mais tempo sem sexo, quase sempre são mais Don Juans: vão com calma, usam e abusam dos galanteios durante a conquista e quando vão pra cama já é praticamente com um namoro engatilhado. Afinal, quem nunca ouviu a piada que uma lésbica já leva o caminhão de mudanças no segundo encontro?

Já nós, meninos, visuais e inquietos por natureza, não agüentamos muito tempo sem sexo, com duas semanas sem, o funiquito já tomou conta. É um caos generalizado e serelepes em sua maioria, não enrolamos muito antes de levar o 'da vez' para cama.

A questão é: e quando você sai da cama do 'da vez' ou ele sai da sua, deixando aquela sensação de 'quero mais'? Nessa hora que muito marmanjo perde o controle, afinal, correr atrás de uma segunda ou terceira vez remete a certo comprometimento; no sentido de baixar a guarda e assumir que o 'conhecido' tem algo que vale a pena dar uma conferida com mais calma.

Transar por vezes seguidas com uma pessoa não significa que vocês estejam namorando, acreditar que estão é dar voz à carência. Porém, quando entre uma transa e outra há uma troca positiva de energias, conhecimentos, experiências e se cria uma conexão bacana, pode ser que o rapaz que eventualmente te leva pra cama não seja apenas alguém que só queria uma descarga de endorfinas.

Talvez seja esse o momento em que você dá um voto de confiança à humanidade e acredita que vale a pena permitir-se se envolver. Afinal, por mais que a oferta no mercado de carnes dos soteiros seja sempre grande, estar comprometido tem lá o seu charme.

Não importa se o seu p.a. ou seu plantonista é sensacional na cama e te deixa sem fôlego. Chega uma hora, que tudo que você mais quer é aquele cara simples, com uma língua esperta, poucas inibições e um quadril treinado para fazer um papai e papai normal, sem acrobacias, sem tapas ou chicotes e que depois ainda vai dormir agarrado em você.

Ah, mas talvez você seja um leitor mais moderno, que não acredita em relacionamentos. Olha, lhe admiro profundamente por também fazer parte do grupo de pessoas que a tempos deixou de crer na redenção através do outro ou na formação de dois para construir um e apagar todo um passado possivelmente negro, mas também preciso lhe dizer que o inverno está chegando e nessa época do ano, chocolate quente, moletom, alguns filmes e um cobertor de orelhas, nunca fez mal a absolutamente ninguém.