quinta-feira, 31 de maio de 2012

O tempo que passa



Ele perdeu tudo o que achou que estaria com ele para sempre. Ele mudou coisas que não gostaria de mudar, mas que foi obrigado a mudar e por várias vezes se sentiu jogado ao olho do furacão e tudo girava de uma jeito tão forte que ele praticamente não lembrava da sensação de ter os pés em terra firme.

E caiu, o furacão passou, mas os destroços eram tão grandes, tão incalculáveis que ele não tinha nenhuma vontade de limpar a bagunça, de limpar os ferimentos ou procurar por conhecidos. Depois de muito tempo, ele conseguiu achar um espelho em meio aos destroços e o rosto que estava ali não era mais o dele. 

Carregava uma amargura calada, uma fúria tão grande quanto a que o colocou nos ares. Então saiu, andou, procurou, bebeu quase até a morte... Por muito tempo, ele simplesmente passou os dias como quem acreditava que os machucados causados pelo furacão não poderiam doer mais. 

Só muito tempo depois que o furacão passou, ele percebeu que na mesma data do furacão foi a data de um nascimento. O nascimento da nova versão dele, a versão que o acompanharia pelos próximos anos.

A versão realista, pisada e perdedora dele. A versão que ele teria que moldar se quisesse um dia se sentir inteiro de novo. Não sabia como começar a moldar, então deixou aquela versão largada por um tempo, sem vontade nenhuma de mexer nela.

E então, quando não mais aguentava ficar parado o céu fechou novamente, não para um furacão só para uma chuva, uma tempestade das que lavam tudo e deixam o céu limpo depois.

Ele precisava ver para acreditar e apesar de não mais acreditar, sentiu a chuva levar tudo de pesado que ele carregava; então, compreendeu que apesar de não saber o que fazer com a nova versão dele, ele precisaria acreditar no que tinha em mãos, acreditar em quem tinha se tornado.

domingo, 6 de maio de 2012

Depois

Vocês se conhecem, se apaixonam, passam anos juntos, se abandonam, se magoam, se odeiam, se amam... Vocês seguem caminhos diferentes. 

Um encontra um novo amor, faz juras ao novo e espalha aos quatro cantos a perfeição do novo amor; o outro, prefere não chamar de 'amor' o que não sabe se verdadeiramente é e cultiva a paz calma de quem se acostumou a ficar consigo mesmo.

O Um, não deixa o Outro em paz. Por qual motivo? A essa altura do campeonato, tanto faz, o Outro só quer seguir seu caminho. Com o Ele ou sozinho.

 

Nota do autor: O Falecido reapareceu. Não sacodiu, só deixou o Taurino aqui matutando "Se o atual é tão perfeito, por qual motivo então, ele continua atrás do tão cheio de defeitos aqui?" Vai entender esse povo... Ele voltou de viagem esse final de semana. Ainda não nos vimos, pra ser honesto, mal nos falamos esses dois últimos dias.