sábado, 23 de junho de 2012

Ainda bem




Vocês vão se conhecer e tanto um quanto outro estarão tão magoados ou descrentes do passado que não se levarão a sério, mas mesmo assim se verão com frequencia.

Ele vai sentir medo de estar indo rápido demais; você, vai rir da pressa dele; ele vai conhecer seus amigos e entender que eles são parte importante de você porque você deve parte de quem é a cada um deles; você, vai morrer de curiosidade de saber o passado dele, mas não vai perguntar porque acredita que tudo vai vir ao seu conhecimento na hora certa.

Ele vai te acompanhar até onde você não acredita que ele acompanharia; você vai se surpreender sentindo falta dele na hora de dormir; ele, vai sentir ciúmes do teu passado; você, vai negar cada possibilidade de ficar com outro cara que não seja ele em nome do futuro; ele vai rir das piadas mais idiotas que você fizer e você vai achar ele a coisa mais fofa do mundo quando faz aquela cara de insolente que você só viu nele.

E assim os dias passarão... Mais dia menos dia, vocês se pegarão rindo das mesmas coisas, dividindo gostos, compartilhando silêncios, até que surgirá aquela hora em que vocês não são nada, mas ao mesmo tempo serão mais do que ficantes e um pouco menos que namorados.

Você não sabe, mas talvez, ele seja o melhor namorado do mundo, daqueles saídos de comercial de margarina; do tipo que vai ouvir seus problemas, te levar café na cama e vai te fazer cafuné enquanto vocês assistem qualquer coisa na tv, apenas para passar o tempo.

No final das contas, você vai achar ele lindo mesmo ele tendo acabado de acordar com os restos da pomada para modelar cabelo fazendo a obra de arte mais exótica nas madeixas dele e ainda assim ele vai sentir um tesão doido por aquele cara de barba por fazer e cara amassada da noite anterior que você recusa-se a acreditar que seja realmente você.

Há quem diga que esse tipo de homem perfeito exista. Eu arrisco dizer que não existe, porque com o tempo, a gente descobre que ele é como qualquer outro cara que você vai encontrar por ai. Correndo, pegando o metrô, pagando contas, estudando, com a única diferença de que ele sim, mesmo com todos os defeitos do mundo, poderá te fazer o cara mais feliz do mundo, se você deixar.

É, to tentando...  

domingo, 3 de junho de 2012

Efeitos de um dia nublado

Imagem via Sailingfree
Hoje por um segundo senti sua falta, talvez porque o dia estava nublado e frio. Dias assim me deixam sensível, você bem sabe.

Acordar em minha cama vazia, em meio à bagunça de lençóis, roupas torcidas e meu infinito particular, me trouxe o flash de quando você preenchia minha cama e todo o resto também, inclusive a atmosfera do ambiente, que ia alterando-se aos poucos quando sabia que estava perto de você chegar.

Dormir sem o peso de  suas pernas sobre mim e sua mão no meu peito fez eu me sentir estranhamente só, abandonado feito criança largada pelos pais em porta alheia. Falta você me abrançando no meio da noite, falta seu calor maior que o do Sol sob o peso dos meus cobertores e me encolher não aquece, não faz o frio passar, talvez porque tudo aqui está congelado, deserto e deprimente.

Ainda na cama virei para o lado oposto, aquele em que você dormia e fiquei ali, olhando o vazio, com você me incomodando, sentindo sua ausência de um jeito tão forte que por si só já era uma presença. Não sei explicar o porquê me deprimo tanto em dias frios, chuvosos e nublados, você bem sabe, talvez seja frescura, mas é justamente em dias assim que sinto falta de quando você chegava como meu Sol particular e aquecia tudo, mandava todo o mal embora .

Hoje, mais uma vez me prometi que seria a última vez que sentiria sua falta, ainda que por um segundo. Lembrei de você, do que tínhamos e não tinha explicação, tampouco tinha nome, mas que entendíamos muito bem cada vez que você me abraçava ou pelo simples jeito que nos encaixávamos na hora de dormir.

Mesmo sem sua mão em meu peito, sem sua respiração no meu pescoço, sem suas pernas nas minhas, sem sua presença e sem seu calor, eu sigo em frente, meio frio e nublado, exatamente igual o dia que terei de enfrentar.

Nota do autor: Texto originalmente escrito em maio de 2010. Na época, uma ferida aberta. Hoje, mais do que nunca, uma cicatriz. Não dói, nem incomoda quando o tempo vai mudar. Ver você bem com outro e não ficar mal por isso, fez eu me sentir estranhamente bem. Nem me pergunto mais porque não me deixas quieto. Eu criei minha paz. Boa sorte.