terça-feira, 31 de julho de 2012

Hoje



Dois anos atrás, escrevi uma crônica, para o blog de uma amiga chamada "My missing puzzle piece" e um tempo depois dela ter nascido, postei aqui no Crônicas por achá-la super atual. Não sei se quem me lê se pergunta como andam os 'personagens' que uma vez apareceram aqui, mas se você leu, e se perguntou, hoje, lhe presto contas.

X passou pela face de caça desesperada por um namorado e depois de algumas frustrações desencanou, viajou pela europa por um tempo, focou no trabalho e em seu TCC e hoje em dia, namora X2. X já conhecia X2 a dois anos e por incrível que pareça ambos eram e são meus melhores amigos. Hahahaha O casal do meu coração! 

Y deixou a fase de 'namoros de experiência' e finalmente tem um 'namoro de carteira assinada' com um boy magya que conheceu numa balada. Casal mais fofo impossível! 

Z por um bom tempo manteve os contatos sexuais com outros caras, depois parou de reclamar da futilidade disso, com mais tempo parou de usufruir de tais contatos. Uma freira seria mais libidinosa do que Z no começo deste ano. Enquanto curtia uma abstinência sexual de alguns meses e de não pisar numa buatchy a 1 ano e alguns meses, Z finalmente se tornou o bombadinho-bom-moço de plantão e atualmente se encontra casado com um quarentão que não é nada parecido com os caras do seu histórico, mas está uber feliz.

E eu, caros leitores, bom, esse que vos escreve tem passado por uma fase excepcionalmente boa. Foi difícil, mas reconheci que meu Humbert-Humbert, vulgo "Ele", dava mais importância aos 10 anos que separavam nossas datas de nascimento do que eu queria crer e assim me despedi da minha fase "Lolito". 

Aprendi muita coisa pra não reconhecer a importância que ele teve, mas acima de tudo aprendi que as vezes o 'não resolvido', resolvido está. Vou sempre ter um carinho especial pela pessoa, daqueles carinhos que me fariam largar tudo numa segunda chuvosa pra esvaziar um copo de cerveja no bar ouvindo os problemas dele. 

Ele poderia ter sido meu "Prince Charming" e seria lindo se o tivesse sido, mas por alguma ironia do destino acabei nascendo com alguns anos de atraso...   

Ironia do destino mesmo foi que a meses atrás uma amiga me disse: "Você precisa de um taurino pra te domar. Outro igual você. Seu gênio não é qualquer um que aguenta ter do lado."  Eu, como de praxe, desdenhei dela e numa dessas curvinhas da vida: PLUFT! Conheci "O Taurino". Vulgo, atual namorado. Dentro do meu padrão: branco de doer, olhos esverdeados, barba quase sempre por fazer e aquele sorriso de deixar zonzo...

Tem sido tudo leve, natural, diferente. É bom encontrar felicidade em ver ele cozinhando pro jantar numa quarta a noite qualquer, em receber a ligação de 'bom dia', em fazer planos pro futuro e acima de tudo é sensacional ver ele capotado do meu lado ou enroscado em mim em pleno sábado a noite depois de rirmos por bobagens a ponto do ar faltar e a barriga doer.

Apesar das cicatrizes e sequelas do passado o coração do taurino aqui não parou de bater e ainda consegue se aquecer com pequenos gestos, ainda pode definhar um pouquinho de saudade cada vez que ele viaja a trabalho para depois se sentir flutuar vendo ele todo sonolento e morto de cansaço porque fez questão de me ver no mesmo dia que voltou de viagem. 

Ainda bem que a vida tem dessas... 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

You should meet my mother


Venho adiando faz tempo falar de uma pessoa aqui que é fundamental na minha vida: minha mãe. Passou o dia das mães, o aniversário dela e a inspiração simplesmente não vinha. Não fluía. Surgiam frases separadas que não se comunicavam; não formavam uma crônica. Não diziam o que eu queria, nem se fariam sobreviver. Hoje, 14 de junho, às 01:55 da manhã, enquanto minha mãe estava capotada de sono no cômodo ao lado, um filme me deu a inspiração que faltava. Que filme? You should meet my son. 

Nele, uma mãe tenta desesperadamente casar seu filho balzaquiano sem saber que o 'colega de quarto' dele, na verdade, é seu companheiro. O relacionamento deles termina, a mãe descobre que o filho é gay e decidida a não ver seu filhote 'morrer sozinho', ela supera a frustração de suas expectativas e sai numa busca desenfreada por encontrar um 'príncipe gay encantado' pro seu pupilo. O filme rende boas risadas, vale a pena conferir, mas o que realmente tenho a dizer é: you should meet my mother. 

Faço o trocadilho com o nome do filme, porque se nele a mãe tenta apresentar o filho pra todo mundo, eu tenho vontade de apresentar minha mãe. Não, ela não precisa de um namorado. Na verdade, está casada com meu pai a bons 25 anos e eles se conhecem desde os tempos de escola, estudaram junto, com direito a todos os clichês de adolescência: ela detestar ele, ele ser popular, ela nerd, ela melhor amiga da irmã dele e por incrível que pareça, terminaram juntos e com dois filhos (outra coisa que nunca falei aqui: tenho um irmão, mais novo! rs)

Nascida em 1966, no interior de pernambuco, mamis é dona de olhos castanhos claros que desde pequeno sempre me fascinaram. Ela sabia fazer meus medos irem embora e ao mesmo tempo conseguia me repreender em meio a uma multidão sem abrir a boca. Uma coisa que aprendi desde cedo é olhar nos olhos dela: eles mudam de cor de acordo com o humor e quando se lida com uma geminiana nata, isso pode ajudar e muito a gente sobreviver! Verde para dias bons, caramelo para dias extressados e marrom claro para dias tensos...

Branca de doer, com os cabelos pretos, lisos na raiz/ comprimento e levemente ondulado nas pontas e com a força de um exercito reunida em 1,65 de altura ela sempre foi uma excessão no 'meio' que foi nascida e criada. Primeiro porque nunca teve o sotaque típico da região, segundo porque por mais sol que tome não se bronzeia e a fibra que carrega consigo nunca deixou dúvidas de que a cidadezinha que tinha nascido era pequena pros seus sonhos.

Não consigo imagina-la vivendo em outro lugar que não seja SP! A cidade é ela e ela parece sempre ter feito parte daqui. Lembro que quando contei a ela que era gay, aos 16 anos: passamos por tempos difíceis,  mas juntos e hoje em dia, retomamos a liberdade que sempre tivemos um com o outro e mais do que nunca tenho a certeza que se a história de 'almas gêmeas' for mesmo verdadeira, meu pai é casado com a minha tem 25 anos. 

Engraçado que enquanto as crianças da minha idade eram coladas nas mães, eu vivia viajando com minhas tias e avós para depois voltar e contar tudo para mamis; somos assim desde sempre: mais amigos que mãe e filho. Lembro dela fazendo uma boneca de pano, do meu tamanho, para dormir comigo no meu primeiro quarto quando eu tinha 5 anos. Lembro como se tudo tivesse acontecido ontem e já se passaram 17 anos. Lembro dela tirando minhas dúvidas sobre sexo porque enquanto meus amigos recorriam uns aos outros e às experiências cegas para acalmar os hormônios, eu recorria à minha melhor amiga desde quando eu tinha nascido. E como ríamos juntos na minha adolescência assistindo 'Ponto P'. 

Ela me aconselha, quer saber como foi a última balada, pergunta dos meus rolos de solteiro, quer conhecer meu atual namorado, é militante, vai no mesmo hair stylist que eu em plena Rua Augusta, conhece meus amigos, interage-aconselha-ri com eles, mantêm o bom humor até quando eles derramam cerveja nela, adora passear por entre os bares gays da frei, trata meus amigos como se fossem filhos dela e acima de tudo, NUNCA escondeu o amor que sente por mim. 

Não tenho como não  me sentir orgulhoso ao passear com ela pela Av. Paulista numa terça a noite despretenciosa. Não tenho com não morrer de gratidão a o que quer se seja por ter essa mulher maravilhosa como mãe e não tem como não ter vontade de dizer a todos que 'vocês deveriam conhecer minha mãe"!