quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Narciso

Quem me conhece sabe que eu tenho uma tendência a ficar mais introspectivo nos dias que seguem o natal e antecedem o ano novo. Em um momento desses, três anos atrás, surgiu esse blog. De lá pra cá, uma pancada de coisas mudaram. Eu engordei, reformei meu quarto, troquei de amores, ganhei umas cicatrizes e até uma tatuagem, mas isso não vem ao caso. É que só hoje, cheguei em casa e com ela vazia, fui reler meus posts. Odeio relê-los, sempre me sinto menos inteligente ao perceber quanto leitor a opacidade das minhas palavras quanto 'pseudo-escritor'. Não que eu me sinta genial ao escrever. Na verdade, as vezes até me orgulho das minhas pseudo-brain-storms, mas elas sempre aparecem comigo sozinho no quarto antes de dormir ou em mesa de bar com uma amiga que lê até meus silêncios. Então eu nunca tenho papel em mãos, ou o pc próximo pra colocar minha 'genialidade' em linhas e quando acontece de eu lembrá-las e postá-las, termino por achá-las um tanto idiotas quando lidas posteriormente. No fundo, sei que escrever é um pouco de narcisismo meu e muito ego. Ascendente em leão, sabe... Então eu me pego remoendo pensamentos, buscando palavras, traduzindo sentimentos, mas sempre que eles são verbalizados percebo que deixaram de serem só meus e como bom egoísta que sou, dispenso tudo nos rascunhos que ninguém irá ler. Se não leem, não existiu; se não existiu, ninguém pode perceber a mediocridade egoísta do que escrevi. Algumas vezes, inclusive, chegaram a dizer que sentem orgulho do que escrevo, que gostam do que leem, como se isso me fizesse alguém um pouco melhor... Tsc, mal sabem que melhor mesmo me faz o silêncio; que egoísta como sou, não escrevo pra ninguém. Escrevo pra eu. Por não saber, por não entender, por não perceber, por estar quase descontente. Ah, sábado (28/12), completo três anos de blog, acho que vou morrer Narciso.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Suposições e verdades

Existe um ‘culto’ no interior da Irlanda responsável por iniciar Magos e Bruxas, conhecido como Tradição da Lua ou Tradição do Sol que acredita que nossas almas já foram partidas milhares de vezes e que por isso não existe uma “alma gêmea”, mas sim sua “Outra parte” ou suas “Outras partes”, porque para eles é totalmente plausível que uma parte que hoje está em você, em outro tempo, em outra história, em outra vida, esteve em outra pessoa.
Eles creem também que estamos destinados encontrar sempre ao menos uma parte nossa pelo mundo, em cada encarnação, e que para identificar essa outra parte, basta atentar para o brilho nos olhos dessa pessoa quando te vê, ou para um ponto luminoso muito forte sobre o ombro esquerdo. Segundo eles, não é preciso muito para perceber esse tipo de brilho, porque quando você encontra a tal parte faltante, vocês intimamente se reconhecem, pois já foram um só e se reencontrar é como chegar em casa depois de um dia de trabalho. 


Partindo desse contexto, me peguei pensando em relacionamentos modernos. Quão simples a vida seria se pudéssemos simplesmente parar um pouquinho, dar aquela olhada marota no ombro esquerdo do boy magya da vez e perceber que lá está escuro ou que não, está shinning bright like a diamond como diz tia Rihanna.
Pensa em como seria Sex and the City se logo na primeira temporada a Carrie percebesse um farolzão no ombro do Big? Ou então, o que seria da vida sexual da Sookie ao ver o Bill e o Eric com um estrobo no ombro? Ok, o brilho nos olhos, a busca por alguém que nasceu para a gente e esse entendimento de irmão siameses, todo mundo já fantasiou sobre. Faz todo sentido esperar que aconteça conosco. Agora e se você, assim como eu, além de míope tem fotofobia e é levemente desatento?
Vamos morrer esperando o boy magya encantado? Ou então, morreremos procurando nos olhos de outros um brilho que tem de existir no nosso antes de mais nada? Meu lado Sandy recusa-se a acreditar numa vida de interruptores afetivos. Não acredito que se desligue alguém de uma hora para outra e se ligue outra pessoa, assim como não acredito que relacionamentos homo estão fadados a terminarem ‘abertos’. Afirmar isso é tão incerto quanto afirmar que todo gay ou lésbica é promíscuo. Cada caso é um caso.


Na falta dessa percepção de luzes no ombro como item de série, continuamos andando no escuro e procurando pelo tal brilho nos olhos que é mais fácil de achar e serve de parâmetro 99% seguro para se saber se seu namoro/ rolo está indo bem. E eu nunca mais leio Paulo Coelho.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O fim e o começo



Passei o resto da semana sem falar com Ele. Junho chegou e com ele, mais uma sexta na buatchy... Eu havia pedido ao meu melhor amigo que ficasse ao meu lado o tempo todo, que não me deixasse ficar com ninguém e que se alguém chegasse, que ele pagasse de namorado pra despistar (como sempre fazíamos em noites de 'não quero ninguém'). 

Lá pelas duas da manhã eu já estava levemente calibrado de tequila, quando subo no queijinho da buatchy pra dançar com meu amigo sem nos importamos com mais nada. Olho pro chão e lá estava O Taurino, por um segundo eu senti as coisas ficarem lentas e parei de dançar, num misto de vontade de ir até lá e de vontade de ir embora, até que meu amigo vira pra mim e diz:

-Ele é bem seu tipo.
-Assiste eu pegar. (Porque sou desses. Hahahahahaha)

Fui lá e fiquei com ele. Trocamos tel e ele disse que precisava ir ao bar. Eu, fui pra outra pista. Passei o resto da noite com meu amigo, ele não pegou ninguém e nem eu voltei a pegar outro cara, até que voltei para a primeira pista e BANG reencontrei o Taurino.

A noite acabou e continuamos nos falando, nos vendo... E nada de sinal de vida do trintão. Eu e o Taurino começamos a namorar e tempos depois, fui a mesma festa em que conheci o Taurino, dessa vez já como namorados. Era aquela típica noite em que eu sairia pela primeira vez sem meus capangas, vulgo, amigos e conheceria os amigos dele. 

A noite já ia alta, eu sentia os músculos leves e a cabeça levemente zonza, até que tentei atravessar a multidão de corpos se movendo com a música para chegar ao banheiro, quando no meio da multidão, reconheci o Trintão parado justamente no caminho pelo qual eu teria que passar. Ele me viu, eu parei, cumprimentei, apresentei o Taurino e segui meu caminho, literalmente.

Naquela noite, sonhei que me despedia do Trintão: no sonho eu tinha certeza que nunca mais o veria, mas dentro de mim havia uma sensação de liberdade incrível, não de tristeza. Então, eu dizia tchau parado numa grande avenida de mão dupla enquanto esperávamos os sinais ficarem verdes para irmos cada um em dia direção. Ele me dava um abraço, eu sorria, ele dizia que não entendia o motivo do riso e eu respondia: você nunca entendeu. Me virava e atravessava a avenida deixando-o parado com cara de confuso. Então, eu andava pelos prédios sabendo que não fiz o mínimo sentido, pensando bem, nunca fizemos...

Dia seguinte, acordei feliz e fiquei estendido na cama pensando no Taurino e na última noite como um todo, então, minha mãe ligou no meu celular só pra saber como eu estava e ao desligar lembrei de duas coisas que ela sempre me disse para levar em consideração tratando-se de relacionamentos:

1 - se não te deixa pensar direito e não te deixa quieto, não é amor, é apego.
2 - se ao abrir os olhos, a primeira pessoa que te vem na cabeça é ele, então pode sorrir a toa que é amor.

E eu estava sorrindo...


Nota ao autor: O Trintão voltou pro Ex-que-é-vizinho tempos depois do meu sumiço e eu... Bom, modéstia parte, eu ando feliz pra cachorro. 

domingo, 28 de julho de 2013

O "Ele" Dele



Após o episódio peguei-o-xará-Dele, resolvi que fecharia pra balanço, mas isso só durou até Ele me ligar no dia seguinte. Inicialmente fiquei feliz como sempre ficava, tomei banho, me arrumei e lá estava eu indo cometer os mesmos erros, quando uma voz interior, um lapso de consciência ou sabe-se deus o quê, me mandou ficar em casa.

Mesmo estando todo perfumado e arrumado, passei uma mensagem falando que minha mãe tinha adoecido e que não poderia vê-lo. Dei a maior desculpa esfarrapada na esperança que uma parte dele percebesse e tentasse puxar assunto. 

Uma parte de mim largaria todas as sextas e sábados a noite com a galera pra ficar na casa dele, outra, me empurrava de volta pra pista porque sabia que no fundo, tinha outro em meu lugar enquanto eu não estava. Numa conversa pelo msn na última semana de maio, eu comentei com ele:

Eu: Acho que a gente só se resolve o dia que eu começar a namorar...
Ele: Como assim?

Então, num surto de coragem desabafei e ele assumiu que estava saindo comigo e com o ex-que-é-vizinho, que não entendia o que sentia pelo ser porque ao mesmo tempo que gostava da cia dele, não conseguia passar um dia ao lado do cara; que faltava frio na barriga para vê-lo, mas que gostava quando ele aparecia... 

Lendo aquelas linhas, mesmo sem saber a história deles por completo, eu entendi, que eu nunca fui páreo para a briga, porque quem lutava comigo não era uma sombra do passado, era uma sombra presente, vizinha... Então, eu fiz o que melhor faço: me embrenhei em mim para fugir Dele.

(Continua...)


domingo, 14 de julho de 2013

Pensamentos, coisas não ditas e U2



Saí da casa Dele no dia seguinte de manhã antes do horário que normalmente eu sairia. Peguei o caminho errado para a faculdade, passei as duas primeiras aulas desatento. No intervalo, chega um sms dele agradecendo eu ter passado na casa dele e dizendo que esperava que eu tivesse gostado do presente que me trouxe de viagem. 

"And I miss you when you're not around
I'm getting ready to leave the ground"

(City of blinding lights - U2)


A verdade é que eu tinha amado o presente, que queria dizer que Ele tinha se tornado mais que só sexo, que eu odiava o fato do ex-que-é-vizinho estar tão perto e que contei os dias pra ter ele de volta no brasil; então digitei uma mensagem falando tudo isso. Apaguei, redigitei uma outra rápida agradecendo o presente, mas não enviei nada, guardei o celular no fundo da mochila e fui assistir minhas últimas aulas tentando não lembrar que eu tinha ficado olhando ele dormir, de pé ao lado da janela, pensando em como eu poderia me acostumar com aquilo. Em como eu poderia me acostumar com nós dois. 

Duas semanas se passaram sem nos vermos, convidei-o para ir a uma balada comigo e ele não foi alegando ter uma reunião importante no dia seguinte. Fui sozinho com alguns amigos, bebi muito, me sentia feliz, ele não existia e no meio da pista de dança com with or without you do U2 tocando beijei um boy lindo: loiro, olhos claros, barba por fazer, enfim, meu número. Depois do beijo, pergunto o nome dele. A resposta: Ele. 

Porque quando você está afogando as lembranças de um boy que te sacode na tequila, Cher aparece e coloca outro magya na sua vida com o mesmo nome que Ele só pra te foder no meio do pré-coma alcoólico. Juntei os restos de dignidade, deixei o loiro se perder junto com a batida e fui para minha casa, pensando em como eu estava umbilicalmente ligado ao fato de não conseguir deixar Ele ir embora. Eu era viciado em sofrer ou se só estava encantado pela possibilidade de querer alguém tão estável e inatingível? 


"Time time
Won't leave me as I am

But time won't take the boy out of this man"

(City of blinding lights - U2)


(Continua...)



terça-feira, 9 de julho de 2013

Sexo e outras drogas...

Ano passado, escrevi um post chamado Ele numa noite em claro, após assumir pra mim mesmo que acabei me apaixonando pelo meu melhor PA. Ele já havia aparecido tanto nas entrelinhas desse blog, que senti que faltava ele por completo aqui, para eu poder dar vasão ao que sentia ou esquecer o que sentia. 

Quem lê essa página, sabe que atualmente, estou namorando "O taurino" e estamos muito bem obrigado, tanto que andei deixando aqui e minhas crônicas no SouG negligenciadas pra viver as dores e delícias da vida a dois. Pois, bem, vou tentar colocar a casa em ordem e pra isso, voltemos no tempo para colocar alguns pingos nos is, pontos finais, parênteses e talvez uma ou outra reticência... 


(Primeira semana de maio de 2012, primeiro encontro após as férias dele fora do brasil...) Eu toquei a campainha Dele inquieto, rezando pra minha cabeça parar de rodar, rezando pra eu não falar mais do que deveria, rezando pra não vomitar, rezando pra não me entregar que estava nervoso, ansioso, bêbado e louco de saudades dele. Por que raios eu tive que beber tanto antes de vê-lo? 

Ele abriu a porta, sorriu, disse que estava feliz em me ver e me puxou pra dentro. Não lembro do caminho pra cama dele, são só flashes deixados pelo álcool e pelas roupas que caíram marcando o caminho por onde passamos. Transamos como só dois guiados por Afrodite poderiam transar. Quando acabou, eu estava sóbrio e levemente feliz. 

Pós sexo: ele acende um beck, começamos a rir a toa e falar frivolidades, então ele solta a fumaça e diz:

-Eu praticamente te joguei pra dentro de casa porque meu ex, que é meu vizinho, estava querendo vir aqui. 
-Hum... (Trago o cigarro)  
-Mas somos amigos hoje em dia.
-Meu ex é um cretino, nem tenho contato com ele.
-Complicado... (disse ele pegando o tablet do chão) 

Levantei e fui pro chuveiro, com a sensação de que o não dito tinha acabado de ser dito. Eu não tinha ideia do motivo pelo qual nunca saímos do sexo, não sabia da existência deste ex-que-é-vizinho, mas de uma coisa eu tinha certeza: havia mais alguém a ocupar o lado que supostamente era meu naquela cama. 

(Continua...)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Infinito particular

Bom taurino que sou, encontro-me em pleno inferno astral. Touro, ascendente em leão e lua em aquário, logo, imaginem uma pessoa EXTREMAMENTE passional, cabeça dura, ciumenta, que adora uma atenção e muda de ideia com a mesma força com que a teve. É, as vezes não faço muito sentido mesmo.

Pra ser honesto, meu maior defeito quanto filho de Afrodite, nem é ser teimoso, mas sim ter uma dificuldade extrema de deixar as coisas e pessoas irem embora. Prova disso é esse blog e meu quarto: acumulo coisas, guardo lembranças, ligo lugares a pessoas, músicas a situações e passar pelos lugares, ouvir as músicas ou rever certas coisas ou pessoas me causam uma viagem no tempo como se tudo tivesse acontecido ontem.

O mais engraçado é que no meu inferno astral é justamente quando mais me sinto propenso a reavaliar minha vida. Rola toda aquela crise de consciência típica de quem não quer reconhecer que está envelhecendo e ao final desse período eu saio renovado, mais leve e quase sempre com memórias físicas a menos guardadas. 

Tempos atrás, resolvi reformar meu quarto. Dois dias de massa corrida, lixa aqui, pinta ali e meu quarto está novo e junto com as energias antigas que as paredes tinham, foram embora também outras marcas: as do Alan adolescente. Sim, meu quarto era o MESMO desde adolescência, sem nenhuma mudança. Passei por muita coisa aqui, então imaginem como foi trocar móveis, mudar cores, mergulhar nas caixas, agendas velhas, ingressos de cinema, fotos, nas lembranças... 

Revivi tudo: sorri relembrando coisas boas, senti por planos perdidos com o passar dos anos, senti saudades de pessoas que não sei mais por onde andam, revivi cenas, li coisas que nem lembrava ter escrito, rasguei fotos, cartas, bilhetes, joguei fora ursinhos, livros, enfeites, presentes de ex-amigos... Ao final da reforma, eu tinha um quarto novo e uma alma leve, renovada. 

O inferno astral ainda durará uma semana, as pseudo crises intelectuais de inferno astral mal se fizeram sentir esse ano, só o humor que anda numa montanha russa enquanto eu perco um pouco o filtro da boca com relação as 'minhas verdades'. Estragos a parte, preparem os presentes e seus corações: Alan 2.3 vem aí e com ele, novas crônicas! 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Faz uó


Tenho andado desleixado com o blog, eu sei. Um leitor me reclamou que a qualidade caiu tanto nos posts daqui quanto nas crônicas do SouG. A verdade é que minha vida pessoal tem andado boa, profissional idem e sempre achei mais fácil escrever quanto estava cagado-jogado-na-valeta. Porém, tentando vencer essa preguiça de postar feat falta do que falar, estou aqui! 

Esse final de semana o namorado estava viajando a trabalho e eu, aproveitando o momento, fui num show da Banda Uó com uns amigos. Acabei-me no technobrega (sendo apedrejado nos comentários em 3, 2, 1...) e fiquei surpreso com a energia do 'Trio diversidade' no palco. 

Pra quem anda em Nárnia e não conhece a banda, ela é composta por dois boys (um loiro magya muito meu número, o outro 'ok') e uma transexual: a linda da Candy Mel. Arrisco dizer que eles são a mistura de toda a cafonice e bagaceira desse brasilzão, mas que eu AMO! É roupa brega, com batidas de periferia, letras que tiram sarro de tudo e uma energia gostosa ao vivo que não tem explicação.  

Eles surgiram na internet com um video para divulgar uma festa no estado deles e acabaram estourando com versões de grandes sucessos pop. Cresceram tanto que estão trabalhando seu primeiro cd, chamado MOTEL. A turnê, que carrega o título do cd, tem os seguinte lema: 'feita pra te dar prazer' e eles super cumprem isso!  

Resumo da noite: segurei vela pro casal de amigos que foi comigo, me arrebentei de tanto dançar, enchi o tanque de vodka cranberry e terminei minha noite indo dormir na casa do marido, agarrado ao travesseiro com o cheiro dele na fronha enquanto sentia falta desse infeliz, baixinho e ciumento que faz meus dias melhores. 




segunda-feira, 25 de março de 2013

A carta que eu mandei...

Nos últimos posts eu contei a história do Rico, meu ex(-amigo). Bom, assim que postei a primeira parte da história sai em busca de um jeito de falar com ele e adivinhem qual foi o único que consegui? Facebook.

Escrevi 1001 coisas, não mandei nenhuma delas. Acabei enviando uma mensagem simples falando que sentia muita saudades dele e pedindo desculpas por tudo. E... Ele simplesmente não respondeu, mas leu.

Eu poderia ficar triste por isso, mas não fiquei. Ele tem razão em não me querer por perto depois do suposto estrago que causei. Não vou mentir que a falta dele continua aqui, porque continua, mas de certa forma ela foi apaziguada.

Talvez ela só tenha apaziguado devido meu eterno lema taurino de vida: se tiver de ser, será! A única certeza nisso tudo é que meu carinho por ele nunca diminuiu e duvido que diminua. Vou continuar esperando um inbox. Quem sabe um dia...

segunda-feira, 11 de março de 2013

A carta que eu não mando


 
(Para ler ouvindo...)

O namoro não durou nem um mês, porque eu terminei, sem muitas explicações ou tentativas. Achei que deixar o namoro seguir em frente era me iludir e iludir a ele mesmo, porque no fundo, acho éramos só amigos suprindo uma carência mútua.  

Hoje, já faz mais de dois anos que não sei por onde meu amigo anda. Ele cortou relações comigo após o termino. Não o culpo. Nem guardo mágoas, mas me incomoda saber que talvez ele as guarde. No fundo, sempre fomos exatamente isso: amigos, antes de qualquer beijo, de qualquer erro. 

Há uma coisa que eu sempre quis dizer a esse amigo nesses dois anos, além de 'desculpa', que nunca consegui: sinto sua falta. Talvez mais do que de qualquer outra pessoa que tenha passado por minha vida e saído dela. Sinto falta das madrugadas em claro bebendo e papeando pela cam. Falta das risadas, das piadas internas, das tirações de sarro sem fim. Dos casos e acasos de faculdade, dos medos compartilhados e principalmente, dos planos de fazíamos juntos. 

Lembro de quando ele falava que ia arranjar um marido rico, se cobrir de roupas de marca e ter três filhas adotivas. Lembro de quando dizia que no fundo, eu era Charlotte, apesar de me sentir Carrie e fingir ser a Samantha. Lembro de quando imaginávamos o terror que tocaríamos por sampa quando ele finalmente viesse morar aqui. 

Lembro de como ele fazia eu me sentir inteligente e acima de qualquer coisa, lembro de quando me incentivou a escrever. Hoje, se o Crônicas existe, é porque ele elogiava as baboseiras que sempre coloquei num papel, mesmo sabendo que seus escritos eram anos luz melhores do que qualquer linha que eu tenha postado. 

Volta e meia me pergunto: como ele está, se odeia muito? Como andaria aquela amiga dos tempos de escola? Como está aquele roomie ht super mente aberta? Se aquele boy narniano da facul já assumiu que gosta dele? São tantas perguntas sem respostas e que talvez permaneçam assim...

A verdade em tudo isso, é que eu sinto falta da nossa amizade. Falta do apoio, das alegrias divididas, dos problemas compartilhados, das risadas, dele, porque por mais que o tempo passe, amigo Rico, essa amizade interrompida ainda me pesa e dói saber que nunca mais dividiremos um cigarro bebendo em silêncio. Nunca mais Ruth e Raquel...


terça-feira, 5 de março de 2013

Rico

Eu era só um adolescente, nem lembro ao certo com quantos anos, quando o conheci. Pela internet, através de um grupo do Yahoo que nem sei mais se existe, mas ainda hoje, quando lembro do grupo, só consigo lembrar dele. Ele não era alto, nem malhadão, mas tinha uma cara de criança e uma inteligência de deixar qualquer um de queixo caído. 

Lembro da euforia quando chegavam seus e-mails, de quando ficava relendo o que tinha escrito como resposta e ainda ficava imaginando a cara dele quando abrisse e lesse meus últimos problemas com o na época namorado. Eu sei, para muitos, talvez esse post fosse contar um romance de adolescente, mas não, trata-se de um amor mais verdadeiro: amizade. 

Ele ficou do meu lado quando meu primeiro amor se foi, ficou comigo madrugadas a dentro ouvindo problemas de 'outing', acompanhava cada cagada minha nesse mundão de meu deus e tudo isso a distância, porque nós por muito tempo não tínhamos nada, a não ser o computador, como elo. 

Lembro da primeira vez que nos vimos pessoalmente, anos depois de termos começado a nos falar. Ele tinha vindo da cidade onde fazia faculdade para passar uns dias em  SP e por coincidência ele estava num apartamento na esquina da rua da minha balada favorita. E lá fomos nós...

Tequila, música, muita gente, eu beijo um cara aleatório, mais tequila e nos beijamos. Talvez esse tenha sido nosso primeiro erro, ou não. Ele voltou para a cidade e a faculdade dele e eu continuei em SP. Tempos depois, fui até sua cidade e em outra balada, acabamos nos beijando novamente. Nosso segundo erro.

Também não sei ao certo se o que me agradava era a 'poesia' que um possível namoro a distância remetia, ou se era o fato de saber que ele se importava comigo mesmo eu não valendo absolutamente nada e não sendo nem metade do que ele já era, mas mesmo assim começamos a namorar.

Continua...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval

Quando a gente está solteiro, os finais de semana sempre são as coisas mais esperadas, por um único motivo: o fervo! Dai chega o carnaval e o fervo simplesmente se multiplica em proporções jamais imaginadas, afinal, a gente pode ficar bêbado de terça à sexta e não receber uma indicação direta pro AA.

2013 começou, carnaval foi chegando, e junto com ele as memórias do carnaval passado desse que vos escreve. Sim, passei de terça à sexta num estado que minha mãe chegou a pensar que meu corpo era movido a álcool e não água, mas esse ano... (pausa dramática)... Estou namorando, com O Taurino que foi mencionado aqui, logo, a gente segura a emoção, engole todo o peligron que sentia nascer dentro de si pra essa data emocionante no calendário brasileiro e liga pro marido perguntando o que faremos nesses dias.

Ele: vai ter um bloco de carnaval afro, o Ilu Obá de Min! Alan pensa: vai ter álcool, é carnaval, tô dentro.  E lá fomos nós e uns amigos. Okay, orixás em pernas de pau, toda uma brasileiridade na batida, a bateria formada só por negras lindíssimas e em seguida: a festa do bloco num espaço de eventos 'X' de SP.

Festa estranha, com gente esquisita, música brasileira boa quando uma dj conhecida tocava, música uó quando outro dj 'X' tocava, e eu com as pernas doendo e morrendo de vontade de ir pra casa, porque nem álcool salvava aquela festa. 

Resto do carnaval: muito filme, seriado, gordices culinárias, trabalho e ânimo zero pra fervo. Daí hoje, terça-feira, eu chego do trabalho e dou aquela pescada gostosa no sofá, acordo, escrevo esse post caindo pelas tabelas e não posso evitar de me perguntar: onde foi parar meu 'peligrus maximus' que regia os finais de semana e meus carnavais solteiro? Vai saber...