domingo, 28 de julho de 2013

O "Ele" Dele



Após o episódio peguei-o-xará-Dele, resolvi que fecharia pra balanço, mas isso só durou até Ele me ligar no dia seguinte. Inicialmente fiquei feliz como sempre ficava, tomei banho, me arrumei e lá estava eu indo cometer os mesmos erros, quando uma voz interior, um lapso de consciência ou sabe-se deus o quê, me mandou ficar em casa.

Mesmo estando todo perfumado e arrumado, passei uma mensagem falando que minha mãe tinha adoecido e que não poderia vê-lo. Dei a maior desculpa esfarrapada na esperança que uma parte dele percebesse e tentasse puxar assunto. 

Uma parte de mim largaria todas as sextas e sábados a noite com a galera pra ficar na casa dele, outra, me empurrava de volta pra pista porque sabia que no fundo, tinha outro em meu lugar enquanto eu não estava. Numa conversa pelo msn na última semana de maio, eu comentei com ele:

Eu: Acho que a gente só se resolve o dia que eu começar a namorar...
Ele: Como assim?

Então, num surto de coragem desabafei e ele assumiu que estava saindo comigo e com o ex-que-é-vizinho, que não entendia o que sentia pelo ser porque ao mesmo tempo que gostava da cia dele, não conseguia passar um dia ao lado do cara; que faltava frio na barriga para vê-lo, mas que gostava quando ele aparecia... 

Lendo aquelas linhas, mesmo sem saber a história deles por completo, eu entendi, que eu nunca fui páreo para a briga, porque quem lutava comigo não era uma sombra do passado, era uma sombra presente, vizinha... Então, eu fiz o que melhor faço: me embrenhei em mim para fugir Dele.

(Continua...)


domingo, 14 de julho de 2013

Pensamentos, coisas não ditas e U2



Saí da casa Dele no dia seguinte de manhã antes do horário que normalmente eu sairia. Peguei o caminho errado para a faculdade, passei as duas primeiras aulas desatento. No intervalo, chega um sms dele agradecendo eu ter passado na casa dele e dizendo que esperava que eu tivesse gostado do presente que me trouxe de viagem. 

"And I miss you when you're not around
I'm getting ready to leave the ground"

(City of blinding lights - U2)


A verdade é que eu tinha amado o presente, que queria dizer que Ele tinha se tornado mais que só sexo, que eu odiava o fato do ex-que-é-vizinho estar tão perto e que contei os dias pra ter ele de volta no brasil; então digitei uma mensagem falando tudo isso. Apaguei, redigitei uma outra rápida agradecendo o presente, mas não enviei nada, guardei o celular no fundo da mochila e fui assistir minhas últimas aulas tentando não lembrar que eu tinha ficado olhando ele dormir, de pé ao lado da janela, pensando em como eu poderia me acostumar com aquilo. Em como eu poderia me acostumar com nós dois. 

Duas semanas se passaram sem nos vermos, convidei-o para ir a uma balada comigo e ele não foi alegando ter uma reunião importante no dia seguinte. Fui sozinho com alguns amigos, bebi muito, me sentia feliz, ele não existia e no meio da pista de dança com with or without you do U2 tocando beijei um boy lindo: loiro, olhos claros, barba por fazer, enfim, meu número. Depois do beijo, pergunto o nome dele. A resposta: Ele. 

Porque quando você está afogando as lembranças de um boy que te sacode na tequila, Cher aparece e coloca outro magya na sua vida com o mesmo nome que Ele só pra te foder no meio do pré-coma alcoólico. Juntei os restos de dignidade, deixei o loiro se perder junto com a batida e fui para minha casa, pensando em como eu estava umbilicalmente ligado ao fato de não conseguir deixar Ele ir embora. Eu era viciado em sofrer ou se só estava encantado pela possibilidade de querer alguém tão estável e inatingível? 


"Time time
Won't leave me as I am

But time won't take the boy out of this man"

(City of blinding lights - U2)


(Continua...)



terça-feira, 9 de julho de 2013

Sexo e outras drogas...

Ano passado, escrevi um post chamado Ele numa noite em claro, após assumir pra mim mesmo que acabei me apaixonando pelo meu melhor PA. Ele já havia aparecido tanto nas entrelinhas desse blog, que senti que faltava ele por completo aqui, para eu poder dar vasão ao que sentia ou esquecer o que sentia. 

Quem lê essa página, sabe que atualmente, estou namorando "O taurino" e estamos muito bem obrigado, tanto que andei deixando aqui e minhas crônicas no SouG negligenciadas pra viver as dores e delícias da vida a dois. Pois, bem, vou tentar colocar a casa em ordem e pra isso, voltemos no tempo para colocar alguns pingos nos is, pontos finais, parênteses e talvez uma ou outra reticência... 


(Primeira semana de maio de 2012, primeiro encontro após as férias dele fora do brasil...) Eu toquei a campainha Dele inquieto, rezando pra minha cabeça parar de rodar, rezando pra eu não falar mais do que deveria, rezando pra não vomitar, rezando pra não me entregar que estava nervoso, ansioso, bêbado e louco de saudades dele. Por que raios eu tive que beber tanto antes de vê-lo? 

Ele abriu a porta, sorriu, disse que estava feliz em me ver e me puxou pra dentro. Não lembro do caminho pra cama dele, são só flashes deixados pelo álcool e pelas roupas que caíram marcando o caminho por onde passamos. Transamos como só dois guiados por Afrodite poderiam transar. Quando acabou, eu estava sóbrio e levemente feliz. 

Pós sexo: ele acende um beck, começamos a rir a toa e falar frivolidades, então ele solta a fumaça e diz:

-Eu praticamente te joguei pra dentro de casa porque meu ex, que é meu vizinho, estava querendo vir aqui. 
-Hum... (Trago o cigarro)  
-Mas somos amigos hoje em dia.
-Meu ex é um cretino, nem tenho contato com ele.
-Complicado... (disse ele pegando o tablet do chão) 

Levantei e fui pro chuveiro, com a sensação de que o não dito tinha acabado de ser dito. Eu não tinha ideia do motivo pelo qual nunca saímos do sexo, não sabia da existência deste ex-que-é-vizinho, mas de uma coisa eu tinha certeza: havia mais alguém a ocupar o lado que supostamente era meu naquela cama. 

(Continua...)