quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Narciso

Quem me conhece sabe que eu tenho uma tendência a ficar mais introspectivo nos dias que seguem o natal e antecedem o ano novo. Em um momento desses, três anos atrás, surgiu esse blog. De lá pra cá, uma pancada de coisas mudaram. Eu engordei, reformei meu quarto, troquei de amores, ganhei umas cicatrizes e até uma tatuagem, mas isso não vem ao caso. É que só hoje, cheguei em casa e com ela vazia, fui reler meus posts. Odeio relê-los, sempre me sinto menos inteligente ao perceber quanto leitor a opacidade das minhas palavras quanto 'pseudo-escritor'. Não que eu me sinta genial ao escrever. Na verdade, as vezes até me orgulho das minhas pseudo-brain-storms, mas elas sempre aparecem comigo sozinho no quarto antes de dormir ou em mesa de bar com uma amiga que lê até meus silêncios. Então eu nunca tenho papel em mãos, ou o pc próximo pra colocar minha 'genialidade' em linhas e quando acontece de eu lembrá-las e postá-las, termino por achá-las um tanto idiotas quando lidas posteriormente. No fundo, sei que escrever é um pouco de narcisismo meu e muito ego. Ascendente em leão, sabe... Então eu me pego remoendo pensamentos, buscando palavras, traduzindo sentimentos, mas sempre que eles são verbalizados percebo que deixaram de serem só meus e como bom egoísta que sou, dispenso tudo nos rascunhos que ninguém irá ler. Se não leem, não existiu; se não existiu, ninguém pode perceber a mediocridade egoísta do que escrevi. Algumas vezes, inclusive, chegaram a dizer que sentem orgulho do que escrevo, que gostam do que leem, como se isso me fizesse alguém um pouco melhor... Tsc, mal sabem que melhor mesmo me faz o silêncio; que egoísta como sou, não escrevo pra ninguém. Escrevo pra eu. Por não saber, por não entender, por não perceber, por estar quase descontente. Ah, sábado (28/12), completo três anos de blog, acho que vou morrer Narciso.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Suposições e verdades

Existe um ‘culto’ no interior da Irlanda responsável por iniciar Magos e Bruxas, conhecido como Tradição da Lua ou Tradição do Sol que acredita que nossas almas já foram partidas milhares de vezes e que por isso não existe uma “alma gêmea”, mas sim sua “Outra parte” ou suas “Outras partes”, porque para eles é totalmente plausível que uma parte que hoje está em você, em outro tempo, em outra história, em outra vida, esteve em outra pessoa.
Eles creem também que estamos destinados encontrar sempre ao menos uma parte nossa pelo mundo, em cada encarnação, e que para identificar essa outra parte, basta atentar para o brilho nos olhos dessa pessoa quando te vê, ou para um ponto luminoso muito forte sobre o ombro esquerdo. Segundo eles, não é preciso muito para perceber esse tipo de brilho, porque quando você encontra a tal parte faltante, vocês intimamente se reconhecem, pois já foram um só e se reencontrar é como chegar em casa depois de um dia de trabalho. 


Partindo desse contexto, me peguei pensando em relacionamentos modernos. Quão simples a vida seria se pudéssemos simplesmente parar um pouquinho, dar aquela olhada marota no ombro esquerdo do boy magya da vez e perceber que lá está escuro ou que não, está shinning bright like a diamond como diz tia Rihanna.
Pensa em como seria Sex and the City se logo na primeira temporada a Carrie percebesse um farolzão no ombro do Big? Ou então, o que seria da vida sexual da Sookie ao ver o Bill e o Eric com um estrobo no ombro? Ok, o brilho nos olhos, a busca por alguém que nasceu para a gente e esse entendimento de irmão siameses, todo mundo já fantasiou sobre. Faz todo sentido esperar que aconteça conosco. Agora e se você, assim como eu, além de míope tem fotofobia e é levemente desatento?
Vamos morrer esperando o boy magya encantado? Ou então, morreremos procurando nos olhos de outros um brilho que tem de existir no nosso antes de mais nada? Meu lado Sandy recusa-se a acreditar numa vida de interruptores afetivos. Não acredito que se desligue alguém de uma hora para outra e se ligue outra pessoa, assim como não acredito que relacionamentos homo estão fadados a terminarem ‘abertos’. Afirmar isso é tão incerto quanto afirmar que todo gay ou lésbica é promíscuo. Cada caso é um caso.


Na falta dessa percepção de luzes no ombro como item de série, continuamos andando no escuro e procurando pelo tal brilho nos olhos que é mais fácil de achar e serve de parâmetro 99% seguro para se saber se seu namoro/ rolo está indo bem. E eu nunca mais leio Paulo Coelho.