segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Season finale


Para ouvir lendo...

Enumerando brevemente meu 2014: fiquei desempregado, consegui outro emprego, passei por momentos delicados em casa com a saúde de uma pessoa querida, fui assaltado a ponto de só ficar com as chaves de casa, terminei um relacionamento e senti mais do que nunca vontade de deixar São Paulo sem olhar para trás. 
No começo do ano, em pleno desemprego, calei essa vontade de me mudar porque afinal, tinha o Taurino comigo. Agora, no final do ano, não o tenho mais e minha vida profissional tem me empurrado cada vez mais pra outros locais. Locais que me pego imaginando como seria morar ali, fazer parte do dia-a-dia, imagino a rotina, o acordar num sábado pela manhã ou passear pelas ruas no domingo a tarde.

Lição 1: deseje tudo de coração, a vida trará isso de encontro a você! 

Ontem, enquanto São Paulo era destruída pela chuva, eu fui a uma festa de música brasileira. Deveria ter ficado em casa. Encontrei o Taurino. Enquanto sóbrio, toda a conversa de 'vamos nos preservar, fazer a noite leve e agradável pra ambos' funcionou. Após umas latinhas da parte dele, o que presenciei foi digno de um adolescente descobrindo a própria sexualidade. 

Lição 2: idade é um número. Maturidade, uma escolha que nem sempre os outros podem fazer e cabe a você tê-la por dois, mesmo quando o outro está beirando os trinta. 

Hoje eu não consegui dormir após a festa, era muita coisa pra assimilar, então tomei um banho, coloquei um jeans e uma camisa e fui ao escritório, mesmo estando de férias até dia 05/01. Eu estava virado, desanimado e levemente aéreo depois da noite exaustiva, mas mesmo assim precisava ocupar a cabeça. Meu chefe estranhou minha presença e meu desânimo e com um tato sem igual soltou (mesmo sem saber o que eu tinha): "Relaxa, Alan... O ano está acabando e dias melhores virão". Eu sorri e vim embora para casa. 

Lição 3: as vezes, um conforto vem de onde você menos imagina.

Eu vim para casa de peito apertado, para descobrir que metade dos meus amigos já haviam me procurado em casa. Como recentemente fui assaltado, ainda estou sem celular e meus pais estavam dormindo quando cheguei e sai, logo, ninguém me viu. Como sai da festa mais cedo que o normal e ao ligarem em casa foram informados que eu ainda não havia chego, meus amigos estavam em um desespero que foram necessárias algumas ligações para acalmá-los de que apesar dos pesares estou inteiro e de pé. 

Lição 4: a vida coloca verdadeiros anjos do seu lado, pra te ajudar até quando você acredita que não precisa. 

E contrariando toda e qualquer promessa que eu tenha me feito, toda raiva e toda vontade de deixar 2014 para trás, quando minha mãe me deu um abraço de boa tarde eu pude chorar por tudo o que estava guardado sem chorar nos últimos meses. 

Lição 5: porque o amor da minha vida é casada com meu pai...

Ainda não consigo concluir se este ano foi positivo ou não. A verdade é que odeio anos pares, ano que vem já tem minha simpatia pelo simples fato de ser ímpar. Então, aos leitores desse espaço, toda energia positiva do mundo nesse ano que se iniciará, muita luz, saúde, discernimento e maturidade. Vejo vocês em dias melhores! 




quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Errejota



Exatamente um mês atrás, eu larguei SP em um feriado prolongado e fui ali dar um pulo no Rio. Era pra ser uma viagem sozinho, depois virou em dupla e terminou em quatro amigos num carro feat. melhor viagem da minha vida. 
Turistei muito, peguei sol, morri um pouco olhando os meninos do rio em Ipanema, bebi na Farme do Amoedo, vi o melhor pôr-do-sol da minha vida no Arpoador, subi no Cristo, visitei o Parque da Laje, fui à Lapa, sambei, fui ao baile funk mais alternativo do mundo, conheci gente nova, fiz amizades, dancei muito, ri mais ainda, tirei fotos, vi paisagens lindas, cai na faceiragem, beijei, me apaixonei pela beleza da cidade e talvez tenha até encontrado bons motivos para voltar.
Não sei exatamente onde entre o Cristo Redentor, a Farme do Amoedo e a Lapa que consegui reencontrar o Alan que dava risada fácil depois de algumas cervejas, mas algo na cidade, no calor, no mar e nos dias ali fizeram-me reencontrar aquela faísca de ânimo pra seguir em frente e deixar a fase cinquenta tons de bege em que entrei após o término com o Taurino.
Então, hoje, quando me lembrei que estava fazendo as malas na mesma data mês passado, pude sorrir, colocar uma playlist carioca pra rolar, mergulhar na nostalgia e escrever esse post enquanto uma outra janela apitava com um dos motivos pra eu querer voltar ao RJ me dando boa noite.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Dúvidas

(Para ouvir lendo...)

Quando tudo acaba para onde vai todo aquele amor e consideração que se dizia sentir? Há um interruptor emocional que faz você desligar o seu 'amor' e ligar o foda-se? Sair por aí pegando geral não é sinônimo de vazio? Há amizade entre ex's assim recente? 

Enquanto essas e outras questões se passam pela minha cabeça, eu vou contra meus instintos em manter contato com um ex namorado recente. Fico aqui, me apegando ao fato de que não tem porque interromper esse vínculo com alguém que me fez bem antes. A questão é que por agora eu ainda não estou completamente bem resolvido com o que nos tornamos. Amigos... 

Não. Não somos amigos. Nunca fomos amigos. Nem sei se um dia chegaremos a ser. Fico me repetindo que um dia tudo isso há de passar para que possamos finalmente voltar a fazer parte do dia-a-dia do outro. Talvez isso nunca ocorra. 

Por hora, sou só um amontoado de questionamentos, de sentimentos sem vazão. Sou essa vontade de sair de SP sem olhar para trás, porque ao mesmo tempo que essa cidade muito me deu e fez por mim, também me faz lembrar o quanto já me tirou e foi maldosa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Rolando

A gente sempre guarda a primeira vez de quase tudo na memória: primeiro beijo, primeira transa, primeiro porre, primeira briga com o melhor amigo, mas na vida há sempre primeiras vezes que se repetem. Por exemplo: a primeira vez que você vai cair na noite depois de terminar seu último relacionamento. 
Toma banho, prova metade do guarda roupas. Pede opinião da mãe. Volta. Muda tudo. Cabelo arrumadinho ou bagunçado? Peraí, mas eu vou de óculos? Perfume discreto ou aquele que fica depois que você passa?
Eu todo arrumado e pé no mundo. Primeiro choque: quando que o pessoal nascido em 1996 começou a sair? Opa, mas não é remix que toca aqui? Menina, e aquela drag com um cocar na cabeça? Vamos pro bar... 

Bebe, bebe mais um pouco, bebe novamente...

Gente, mas que música boa! Beeeeeeesha, eu amo Iggy Azalea. Vai, desce, viado. Work, work, work, I'm working on my shit. Anda logo, quero ir pra outra pista. Merda de gente que pára na escada. 
Gzuys, que fila de banheiro enorme. Droga, piso molhado. Não tem papel toalha? Arrrrght, essa vodka é batizada, certeza. 
Merda de boate com o piso todo molhado. Hei, filho, anda. Não pára na escada! Poooooooooxa, tá tocando Sia. Corre! 7 degraus de bundinha, crise de risos, arranhões e alguns roxos depois, posso concluir: a vodka era batizada. 



domingo, 9 de novembro de 2014

Nhee



Ela: E o que aconteceu com vocês?
Ele: A vida...
(Cena do filme The Blueberry Nights, com Norah Jones e Jude Law)


Eu poderia enumerar 1001 motivos para não gostar de anos pares. Anos pares nunca foram bons. Nada par nunca foi bom. Outubro é par, também não foi bom... Eu poderia justificar com o trânsito, a falta de chuva e a correria dos dias ou com o dinheiro que andava curto e o sapato que apertava. Tudo mentira.
Na verdade os dias tem passado bem, eu que não. Terminar relacionamentos tem dessas. Você leva um tempo pra sentir que é você de novo e mais tempo ainda para perceber o quê do outro você andou pegando ao longo do tempo juntos para montar aquilo que você chama de "Eu". 
E nessa fase, o tempo volta com suas dualidades. Tem dias que passam rápido, outros levam uma eternidade. Tem horas que são anos e minutos que você se sente tão aéreo que mal parece realmente você. Então, em um segundo de distração qualquer, você quase esquece e quase se sente normal de novo.
Taí uma coisa que ninguém nunca escreve sobre términos: você não morre de tristeza. Nem passa a viver carregando ela como um acessório. Você continua saindo, vivendo, trabalhando, rindo, mas no fundo, bem lá no fundo, a sensação que você carrega é a que eu chamo de: nhee. É se sentir anestesiado por um tempo... É um dar de ombos.
Você evita conversas, pessoas, cultiva silêncios e nem por isso entrega-se à apatia. Ao contrário, tanto tempo sozinho e em silêncio te mostra toda a imensidão do seu mundo interior e a insignificância disso em um contexto geral. Então, você entende numa quarta-feira qualquer, parado no trânsito, que esse vazio no estômago é passageiro, que logo esses instantes de catarse passarão.
Semana passada vi o por do sol sozinho num roof top aqui em São Paulo. Por um segundo parecia que toda aquela luz ia me engolir, o calor me deixou menos 'nhee' e eu soube que estava tudo bem comigo. Não precisava de palavras para saber aquilo. E a vida continua...





quarta-feira, 23 de julho de 2014

Por hoje



Eu queria escrever. Eu juro que queria! Eu queria montar um daqueles posts que rendem comentários variados, que os poucos leitores que passam por aqui possam lembrar depois como uma verborragia levemente genial ou que os tocasse da mesma forma que me toca assistir um season finale de Grey's Anatomy ou ouvir Alanis. 
Mas ando com preguiça. Preguiça de escrever, de discutir, de provar pontos de vista, de revirar vísceras de coisas que eu facilmente esqueceria com um dar de ombros. Hoje eu tentei ir na exposição de uma artista japonesa aqui em SP; aquela cheia de bolinhas que todo mundo tem selfie clichê no facebook. Desisti na porta. A fila me cansou antes de pegá-la. 
Toda aquela pose hipster de gente cult e os dedos frenéticos em aparelhos touch screen de última geração me deixaram entediado. Tentei voltar para casa: trânsito. Bateria do celular acabando. Desço do ônibus e resolvo fazer o resto do caminho a pé. Chego em casa suado e mudo. Casa vazia. Acho que vou dormir cedo, só acho... Não, eu não estou triste, só ando cansado, mas aguento por hoje, só por hoje...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Mulligan

"A mulligan, in a game, happens when a player gets a second chance to perform a certain move or action (Unknown Author)

Ser gay e solteiro na cidade de São Paulo, as vezes é como ser uma criança e andar pela doceria. Do caminho do trabalho, para o happy hour, você passa por uns 15 caras extremamente pegáveis. A questão é: e quando você namora? 

Recentemente, fiquei sabendo que um casal de conhecidos tinha passado por uma crise básica porque um deles, durante uma volta na doceria, tinha dado uma mordida de leve em um doce qualquer, esquecendo-se que namorava, ou neste caso, que era diabético. 

Minha surpresa foi saber que após um leve drama eles continuaram juntos. Não sou de julgar, mas não consegui evitar de ficar pensando o que motivaria continuarem com um relacionamento após uma situação como esta, visto que a relação era monogâmica até então e nenhuma das partes havia posto em pauta a possibilidade de modificar isso. 

Estando na casa dos vinte e poucos, já aprendi que confiança e respeito são coisas que não podem ser recuperadas, mas que todo o resto num relacionamento pode e deve ser negociado, que cada casal é um organismo distinto de outro casal, seja ele gay ou hétero. Analisando essa suposta negociação, só consigo concluir que ela acontece em nome de uma coisa: a bendita segurança. 

É em nome dela que se aceita um terceiro elemento em sua cama; é em nome dela que se aguenta dedos em riste e tons exaltados; é em nome dela que muitos casais héteros e gays, continuam com suas vidas ignorando seus problemas e exercendo seu papel de 'casal de comercial de margarina'. 

Por trás de toda essa necessidade de segurança, há também comodismo. É mais fácil continuar com um relacionamento sem intensidade e sem frio na barriga do que encarar todo o processo de desligamento da outra pessoa. O comodismo não deixa enxergar que em certas situações é muito mais digno e empreendedor seguir seu caminho solteiro.

Não acho que eles tenham agito errado (nem certo) reatando, mas não aceito a ideia de terem possivelmente reatado por medo de ficarem sozinhos. Desejo por terceiros é normal, faz parte do instinto animal do ser humano. Assim como está no ser humano a capacidade de auto-controle e de aprender com seus erros. Ao menos eu acho... 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O príncipe da Consolação

Eliseu é o príncipe da Consolação. Ele sabe o que é ser hype. Está com a pulseira de todo camarote de São Paulo e se formou naquela faculdade de nome americanizado, junto com os filhos dos empresários de renome da cidade que só irão trabalhar depois de formados e na empresa da família. 

Roupa? Só de marca. Corte de cabelo? Só se for naquele salão super moderno com carro de época estacionado no centro como objeto de decoração. Happy hour? Só nos bares que servem Absolut, porque cerveja é coisa que só se toma na Benedito Calixto, de sábado a tarde, enquanto se ostenta aquele topete impecável, óculos de marca, sorriso brasé e uma eterna cara de tédio. 

Eliseu já viu de tudo. Tel aviv é seu quintal. Europa é destino padrão nas férias. Faz sucesso no insta com seus looks sempre bem elaborados. Dividir apartamento é para caipiras. Ele mora sozinho em um flat. Sangria é a bebida padrão para uma noite de quarta e um bom Malbec para qualquer dia que se fizer frio, poxa!

No verão, vai curtir os meninos do Rio; no inverno, convoca as amigas para finais de semana em Campos do Jordão. Carnaval? Praia mole, Floripa, lógico! Onde mais seria? E óbvio, que Eliseu não anda de ônibus. É coisa de pobre. Só se anda de táxi e para ir trabalhar é a pé, afinal, nem é tão longe assim da Alameda Angélica para a Av. Paulista. 

Namorar? Só se for com aquele cara um pouco mais velho, rico e de preferência passivo. Mas enquanto não namora o negócio é ser visto nas melhores festas com aquele amigo mais íntimo. E todas as coisas más que dizem sobre Eliseu? Tudo inveja, afinal, quem não queria ser Eliseu? O importante é acreditar... 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Burrice universal

Burrice universal: voltar com o ex, seja você gay ou hétero; se nunca voltou, voltará e se já voltou: sabe que não compensa. 



"Pode ser que eu fosse tudo que você sempre sonhou e que esse jeito de você me amar fosse afinal o jeito certo. Só sei que pra mim não era suficiente. Que sempre fez falta o perfume que você não tinha, a voz que você não falava (...)" (Autor: Antonio de Castro, do Blog Lost Cause)

domingo, 18 de maio de 2014

Being Boring


"It's almost impossible not to become the same thing we criticize so much" (Author Unknown)

A maioria das boas histórias começam com uma situação problema ou um acontecimento que muda todo o resto. Essa não. Talvez nem tenha história pra contar e isso seja só uma necessidade de jogar com palavras para assim sentir-me vivo. 

Essa semana fui para a aula e enquanto a professora falava fiquei sentado, vendo-a sem ouvi-la, lembrando de quanto sentia o coração bater forte e as bochechas formigarem. Era madrugada e estava frio, mas nem sentia. Tudo eram cores, flashes e intensidade.  

O vento batia-me no rosto, puxava meus cabelos para trás e eu não ouvia os barulhos da cidade, mas era tão bom. Reconfortante. Como se toda aquela imensidão de escuro e concreto soubessem exatamente como o que eu sentia era pleno e ao mesmo tempo amplo porque não cabia palavras. 

Hoje fiquei sentado no escuro ouvindo uma chuva de granizo cair, só por ouvir e não senti absolutamente nada. Talvez eu precise urgentemente de uma viagem, novos ares... Ou só um porre.


domingo, 11 de maio de 2014

Taurus



Há mudanças que acontecem rápido, pegam a gente de guarda baixa e da-lhe lágrimas para superar. Há mudanças que chegam aos poucos, como o outono. Você não sente vir de uma vez, mas quando percebe está com duas blusas, meias e calça moletom num domingo qualquer. 
É que nunca me dei bem com mudanças abruptas ou calor.  Toda agitação e obrigação de ser feliz que ele trás, nunca ornaram muito comigo. Vai ver tem algo a ver com eu ser filho de Afrodite e que nasci enquanto as folhas caiam aqui do lado norte da Terra. 
Ser taurino tem dessas a gente sente as coisas chegando, pensa muito e fala só o necessário. Essa semana, no sábado, completarei 24 anos, não vividos como eu esperava, mas quem liga, a vida também não é como eu esperava e mesmo assim tem sido muito boa. E quanto às mudanças? Nunca as esperei de peito tão aberto!

And maybe, just maybe, it's how we lose ourselves. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Entrevistas & Expectativas

Recentemente fui à uma entrevista de emprego. Dentro da minha 'nova área' de estudos, já que larguei a fisioterapia no começo do ano passado. Então, nada mais justo que mergulhar de cabeça no novo e procurar outro trabalho. Pois bem, estou há três bons meses, fazendo entrevistas, levando um não aqui e acolá, recusando propostas por serem distantes ou não serem exatamente o que eu quero. 

Semana passada, na maior falta de pretensão, fui fazer entrevista numa consultoria de RH, a vaga: em uma multinacional. Eu era o mais velho na sala de espera, fiz todo o processo encarando com o maior bom humor do mundo e qual minha surpresa quando me ligaram chamando pra uma entrevista direta com o gestor e o gerente diretos na empresa. 

Coloquei minha melhor cara de bom moço e lá fui eu. A empresa: fácil acesso. As instalações: super me agradaram. Eu estava tão a vontade na sala de espera que peguei o jornal do dia e comecei a ler as noticias sobre o SPFW, quando, entre uma reportagem e outra vejo uma bíblia aberta fazendo parte central da decoração da sala. Meu primeiro pensamento: phodeu! 

Entrevistadores chegam: o gerente direto e o coordenador da área. Ambos nitidamente héteros, meio brucutus e o coordenador jovem, com aquela típica pose de ave de rapina que jovens empresários adquirem por se acharem visionários no que fazem. 

E eu: TRAVO! A entrevista foi estranha, mais ouvi do que falei. Eles explicaram as coisas do cargo e alegaram ter mais quatro rapazes por entrevistar (fui o primeiro) e ao sair daquela sala de reuniões caiu-me a ficha: eu QUERIA trabalhar ali. Eu me via trabalhando ali. O salário era bom, os benefícios idem e as perspectivas de crescimento também! 

Então voltei pra casa, revoltado comigo mesmo, com o prazo de até 5 dias úteis para resposta, com uma vontade doida de ter passado e a mágoa de ter criado justo o que eu não deveria criar: expectativas...

Nota do autor: Ainda não entendi bem o motivo de eu ter travado e me recuso a crer que tenha sido pela bíblia ou a pose de 'ht phodão' do entrevistador. Isso nunca me abalou, creio que não seja agora que irá e também nunca me senti menor ou em desvantagem por ser gay. Homofobia interna passa bem longe de mim, pelo contrário, me permito e muito rir e aproveitar as dores e delícias de ser quem e como sou. Eu, obviamente, não passei na entrevista; só passei mesmo dois dias deprimido e com a sensação de não ser bom o suficiente. Coisas da vida...

domingo, 30 de março de 2014

Lolita


Não é de hoje que assumo minha atração por pessoas mais velhas. Quando solteiro, eu e uma amiga, tínhamos uma piada interna que dizia: "Olhos claros, português correto de doer e passou dos 30? Alta chance de me pegar." Depois de ser chamado de 'moço' por uma criança no metrô na maior sonoridade de 'tio' e do Latinha ter postado aqui  sobre o Tio da Sukita, eis que eu crio vergonha na cara para escrever sobre eles: os Trintões.  
É inegável que o que falta em qualquer cara de vinte de poucos sobra nos de trinta e poucos. Sobra lábia, carisma, segurança, maturidade, papo e principalmente charme. Porque ele pode não ser lindo de morrer e talvez estar em franca perda daquele metabolismo rápido dos vinte, mas o charme, ah, esse permanece intacto.  
Ele não vai te mandar um sms chamando pra sair, irá te ligar e chamar diretamente. Ele talvez não tenha o pique para baladas que você tem, mas certeza que não faltará conhecimento dos restaurantes e melhores bares da cidade. E nada de cinema e fast food com ele. Ele te levará aquele restaurante que você sempre quis ir e nunca foi com os amigos porque era muito 'programa a dois' e ainda te fará se perder na conversa enquanto bebe algo bem preparado, para só depois de alimentado e levemente alegre, te jogar na maior armadilha para nós de vinte e poucos: o sexo. 
Porque tão marcante quanto o charme dos trintões, é seu desempenho na cama. Não precisa dizer o que fazer. Não precisa de sexo de adaptação. Não precisa de manual. Ele vai direto ao ponto e você provavelmente vai sair da casa dele, ou ele da sua, sentindo os dedos formigarem após orgasmos dignos de replay.
O "X" da questão de misturar datas de nascimento tão distantes, não é serem de gerações diferentes, mas sim o "X" de qualquer questão afetiva: a zona de conforto. Independentemente da idade, a gente sempre se liga mais em quem nos tira de nossa zona de conforto e se você não consegue tirá-lo, meus pêsames, ele poderá não falar diretamente, mas por baixo daquela segurança polida e de todo charme está quem detém todo o controle da relação e se há controle, não é de verdade.
Porque não há controles quando algo é de verdade, só trocas. Pode até ser uma troca de juventude por experiência ou qualquer outra, sempre há uma exceção. Clichê, porém real. No fundo, Lolita era tão culpada por sua desgraça quanto Humbert Humbert era ciente das malícias de sua amada menina e ainda assim se consumiram até as cinzas...

Aquele dos 24


17 de janeiro foi a data do meu último post. Novamente ando desleixado com meus escritos. Na verdade os últimos nem chegaram a ir parar num papel ou aqui. Foi-se o tempo em que escrevi rascunhos. Recentemente, alguns pensamentos nascem e vão parar no canto da minha cabeça, esperando coragem ou tempo hábil para elaborar, entender e quem sabe virar post. 

Talvez seja coisa da idade. Engraçado mesmo é eu, que não me importo com idade, me pegar colocando a culpa nela pra algo que eu tenho negligenciado. Tudo balela. É que dia desses, uma criança me chamou de 'moço' no metrô e depois, olhando pro meu RG pensei "Caraca, 24 anos em maio e ainda sinto como se ontem tivesse feito 18 ontem." 

Não que isso não seja verdade. Fiz 18 ontem, mas é que as vezes você vai vivendo, plantando coisas pra depois colher, esperando resultados, esperando mudanças, vai gastando sola de sapatos indo atrás do que se quer e simplesmente não repara que, poxa vida, quanto tempo passou. 

Tempo e suas questões de relatividade, sempre me pegando de guarda baixa. Reparem: para um adolescente, já vivi um tantão, para um balsaquiano, estou só começando. É como se os 24/25, fossem a pré-adolescência da 'maturidade'. Como quando tínhamos 13 anos e não conseguíamos achar a roupa que nos servisse, porque já éramos grandes para o departamento infantil e pequenos para o adulto. 

E de novo a relatividade: se uma parte de mim diz que tudo só começou, por que a outra grita que acabou a brincadeira?


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Necessidades

Temos de ser tudo o que somos capazes de ser (…)” (Maslow, Abraham)



Há uma escala proposta pelo psicólogo americano Abraham Maslow, conhecida como “Escala das necessidades de Maslow” ou só “Pirâmide de Maslow” em que as necessidades humanas/efeitos motivacionais, seguem um fluxo que pode ser posto hierarquicamente em uma pirâmide e que cada individuo precisaria percorrer os diferentes estágios dessa escala para atingir sua auto-realização, vulgo, o topo da pirâmide.

Basicamente, a pirâmide é composta de 5 andares, onde, na base, localizam-se as necessidades fisiológicas (ir ao banheiro, comer, respirar); no primeiro andar estão as necessidades relacionadas à segurança (um emprego, convênio médico, uma casa); depois vem as necessidades de associação (relação familiar, amorosa, intimidade, pertencer a um grupo); no penúltimo andar vem as necessidades de reconhecimento (ser bem relacionado com terceiros, sentir-se parte de um todo e valorizado nele) para só no topo da pirâmide vir as necessidades relacionadas a auto-realização (no popular, a necessidade de realizar seus sonhos: ir à Disney, conhecer a Europa, ter um casamento de arromba, etc…)

Do surgimento dessa “escala” até os dias atuais, muito foi estudado no que se diz respeito às realizações pessoais e às motivações humanas e inclusive, Maslowzinho já foi considerado desatualizado, mas a grande questão aqui é: o que te INSPIRA? O que te faz sentir-se tão realizado que dinheiro algum poderia pagar?

Os viciados em trabalho irão apedrejar que sem dinheiro não se vai nem à esquina; os filhotes da geração Y (que já nasceram com o ego inflado na segunda parte dos anos 90) dirão que os ‘likes’ no insta não tem preço; as românticas dirão que a sorte de um amor tranquilo com sabor de Cassia Eller basta. Eu diria que, as vezes, nem tudo isso junto basta. Viver é foda, a gente sabe. E não se preocupem porque esse não será um post cheio de esperanças. Nem sobre como descolar um boy magya (encosto de Carrie Bradshaw tirou férias, meninos e meninas).

Na verdade, creio que ao montar essa pirâmide Maslow estava tentado mapear a busca humana por nada mais nada menos que a felicidade. Ok, soou post de auto-ajuda, mas continua lendo porque não é. Entendam: você pode ter a cobertura da rua, o carro do ano, o emprego do momento, mas se sua família não estiver contigo não será completo.

Isso sem falar que enquanto você mantêm as exigências no teto e se frustra em expectativas há quem não queira nada além de 'lavar as mãos’ para voltar ao trabalho e estão bem assim, porque lhes basta a sensação de mãos limpas e consciência leve. Porém, no fundo, a gente quer mesmo é que o tempo não vá para lugar nenhum. Que fique onde está, porque essa sensação de felicidade, de realização, de estar completo, sempre vem com a necessidade frustrante de que nunca passe.

A gente nunca quer que a sexta termine quando estamos ao final do esquenta com uma noite promissora pela frente. É disso que é feito o post de “Bom dia, sexta, sua linda” que você lê com tanta frequência. É só mais uma tentativa nossa de que o tempo não passe. Porque querer os likes no insta, o salário gordo na conta, a cobertura, o carro do ano, o capa da revista na cama, o sexo de amolecer as pernas e querer que o tempo não passe é lutar contra a inevitabilidade que constrói a vida. Tudo vai passar. Inclusive esse post e tudo o que você sente enquanto o lê.

Maslow não entendia da frivolidade das coisas que passam, nem do quão complexa cada ‘necessidade’ pode ser. Eu não entendo das necessidades que não passam e ainda assim tento catalogar o mundo. Encosto virginiano, só pode.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

How to be a heartbreaker ou empreendedorismo sentimental


Você está lindo, magro, disponível and avulso no mercado, após muito tempo chorando pelos cantos por causa do término com o último falecido e nem com Santo Antônio de ponta cabeça dentro do copo de Balalaika consegue desencalhar? Pois é, não está fácil para ninguém… Então o que você faz?
Você sai! E passa o rodo sem nem querer saber quem molhou o banheiro. Daí, no meio desse rodo cotidiano, no meio de tantos espécies de Boyz magialis a Sra repara que não esbarra com nenhum ‘boy pra casar’. Difícil, né? Se não está fácil pra Sra que é caçadora e sai na procura, imagina pra quem fica em casa fazendo maratona de Drop Dead Diva no NetFlix.
Mas em um belo dia, você simplesmente desencana e começa a curtir a balada, o dj, azamiga e pára de procurar o espécie ideal de Boyz magialis casadoirus (extremamente em extinção de acordo com meus contatos no Beebama). 

Você entra no Facebook e começa a ver o povo dos tempos de escola casar, ter filhos, embarangar e a Sra. aí, solteira, até que numa noite de fervo qualquer, esbarra com um boy que é o resumo do que você curte e como não sair pensando em prender o boy? Segundo encontro: capricha no visual, no perfume, no papo e quando está quase visualizando como serão seus filhos o boy toma chá de doril e te deixa pensando a mesma coisa que sua mãe pensou quando você se assumiu: “onde foi que eu errei?”
Pára de se culpar e pega o caderninho de anotações mais uma vez porque a gente vai explicar uma verdade universal sobre a vida: a quantidade de pretendentes de uma pessoa, é inversamente proporcional à vontade dessa pessoa, de namorar. Não entendeu? Espera aí que explico.
Todo mundo, quando pensa em namorado, tem um check list pessoal de coisas que esse suposto namorado deve ter: barba por fazer, olhos claros, um corpo ‘ok’, saber conversar bem, experiências anteriores com namorados, interesses em comum, um quadril solto, enfim… O problema é quando achamos esse check list em alguém e acabamos nos desesperando para segurar o boy.
Nunca se sabe o que vai na cabeça do outro enquanto você tenta mostrar seu melhor lado para conquistá-lo e tratando-se do desconhecido, a gente quase sempre termina agindo de acordo com o que a psicologia chama de ‘senso comum’ ou o que eu chamo de ‘seu histórico’. É simples: você vai agir com o boy de acordo com suas experiências anteriores e aí que mora o perigo, porque se seu histórico não for muito bom as chances de agir como um ET chegando a Terra são grandes.

Ao que tudo indica, querer desesperadamente namorar, exala algum tipo de feromônio que faz TODOS os boys correrem mais do que as fans da Madonna quando abrem os portões da pista premium do show e não vai pensando que é correr PRA você não, é correr DE você.
Logo, não adianta apelar pra novena de Santa Cher, para não terminar velho, sozinho e rodeado de 15 gatos. O melhor a se fazer ainda é tornar-se exatamente o que você gostaria de achar. Isso mesmo, vire o boy magia que você tanto procura. Pode parecer papo de livro de auto-ajuda, mas é a mais pura verdade: leve-se para sair, cuide de você, aproveite cada segundo de ser quem é porque não querer um namorado exala algo que acaba atraindo mais boys do que se pode imaginar.
No final das contas, estar solteiro te dá intensidade, faz você se valorizar, te dá ‘n’ possibilidades de conhecer quem você realmente é e de amar a única pessoa que não te abandonará: você mesmo, porque não importa quão duradouros seus relacionamentos possam ser, nenhum será maior que o que você tem consigo mesmo e investir neste relacionamento nada mais é do que puro empreendedorismo sentimental.