sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Necessidades

Temos de ser tudo o que somos capazes de ser (…)” (Maslow, Abraham)



Há uma escala proposta pelo psicólogo americano Abraham Maslow, conhecida como “Escala das necessidades de Maslow” ou só “Pirâmide de Maslow” em que as necessidades humanas/efeitos motivacionais, seguem um fluxo que pode ser posto hierarquicamente em uma pirâmide e que cada individuo precisaria percorrer os diferentes estágios dessa escala para atingir sua auto-realização, vulgo, o topo da pirâmide.

Basicamente, a pirâmide é composta de 5 andares, onde, na base, localizam-se as necessidades fisiológicas (ir ao banheiro, comer, respirar); no primeiro andar estão as necessidades relacionadas à segurança (um emprego, convênio médico, uma casa); depois vem as necessidades de associação (relação familiar, amorosa, intimidade, pertencer a um grupo); no penúltimo andar vem as necessidades de reconhecimento (ser bem relacionado com terceiros, sentir-se parte de um todo e valorizado nele) para só no topo da pirâmide vir as necessidades relacionadas a auto-realização (no popular, a necessidade de realizar seus sonhos: ir à Disney, conhecer a Europa, ter um casamento de arromba, etc…)

Do surgimento dessa “escala” até os dias atuais, muito foi estudado no que se diz respeito às realizações pessoais e às motivações humanas e inclusive, Maslowzinho já foi considerado desatualizado, mas a grande questão aqui é: o que te INSPIRA? O que te faz sentir-se tão realizado que dinheiro algum poderia pagar?

Os viciados em trabalho irão apedrejar que sem dinheiro não se vai nem à esquina; os filhotes da geração Y (que já nasceram com o ego inflado na segunda parte dos anos 90) dirão que os ‘likes’ no insta não tem preço; as românticas dirão que a sorte de um amor tranquilo com sabor de Cassia Eller basta. Eu diria que, as vezes, nem tudo isso junto basta. Viver é foda, a gente sabe. E não se preocupem porque esse não será um post cheio de esperanças. Nem sobre como descolar um boy magya (encosto de Carrie Bradshaw tirou férias, meninos e meninas).

Na verdade, creio que ao montar essa pirâmide Maslow estava tentado mapear a busca humana por nada mais nada menos que a felicidade. Ok, soou post de auto-ajuda, mas continua lendo porque não é. Entendam: você pode ter a cobertura da rua, o carro do ano, o emprego do momento, mas se sua família não estiver contigo não será completo.

Isso sem falar que enquanto você mantêm as exigências no teto e se frustra em expectativas há quem não queira nada além de 'lavar as mãos’ para voltar ao trabalho e estão bem assim, porque lhes basta a sensação de mãos limpas e consciência leve. Porém, no fundo, a gente quer mesmo é que o tempo não vá para lugar nenhum. Que fique onde está, porque essa sensação de felicidade, de realização, de estar completo, sempre vem com a necessidade frustrante de que nunca passe.

A gente nunca quer que a sexta termine quando estamos ao final do esquenta com uma noite promissora pela frente. É disso que é feito o post de “Bom dia, sexta, sua linda” que você lê com tanta frequência. É só mais uma tentativa nossa de que o tempo não passe. Porque querer os likes no insta, o salário gordo na conta, a cobertura, o carro do ano, o capa da revista na cama, o sexo de amolecer as pernas e querer que o tempo não passe é lutar contra a inevitabilidade que constrói a vida. Tudo vai passar. Inclusive esse post e tudo o que você sente enquanto o lê.

Maslow não entendia da frivolidade das coisas que passam, nem do quão complexa cada ‘necessidade’ pode ser. Eu não entendo das necessidades que não passam e ainda assim tento catalogar o mundo. Encosto virginiano, só pode.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

How to be a heartbreaker ou empreendedorismo sentimental


Você está lindo, magro, disponível and avulso no mercado, após muito tempo chorando pelos cantos por causa do término com o último falecido e nem com Santo Antônio de ponta cabeça dentro do copo de Balalaika consegue desencalhar? Pois é, não está fácil para ninguém… Então o que você faz?
Você sai! E passa o rodo sem nem querer saber quem molhou o banheiro. Daí, no meio desse rodo cotidiano, no meio de tantos espécies de Boyz magialis a Sra repara que não esbarra com nenhum ‘boy pra casar’. Difícil, né? Se não está fácil pra Sra que é caçadora e sai na procura, imagina pra quem fica em casa fazendo maratona de Drop Dead Diva no NetFlix.
Mas em um belo dia, você simplesmente desencana e começa a curtir a balada, o dj, azamiga e pára de procurar o espécie ideal de Boyz magialis casadoirus (extremamente em extinção de acordo com meus contatos no Beebama). 

Você entra no Facebook e começa a ver o povo dos tempos de escola casar, ter filhos, embarangar e a Sra. aí, solteira, até que numa noite de fervo qualquer, esbarra com um boy que é o resumo do que você curte e como não sair pensando em prender o boy? Segundo encontro: capricha no visual, no perfume, no papo e quando está quase visualizando como serão seus filhos o boy toma chá de doril e te deixa pensando a mesma coisa que sua mãe pensou quando você se assumiu: “onde foi que eu errei?”
Pára de se culpar e pega o caderninho de anotações mais uma vez porque a gente vai explicar uma verdade universal sobre a vida: a quantidade de pretendentes de uma pessoa, é inversamente proporcional à vontade dessa pessoa, de namorar. Não entendeu? Espera aí que explico.
Todo mundo, quando pensa em namorado, tem um check list pessoal de coisas que esse suposto namorado deve ter: barba por fazer, olhos claros, um corpo ‘ok’, saber conversar bem, experiências anteriores com namorados, interesses em comum, um quadril solto, enfim… O problema é quando achamos esse check list em alguém e acabamos nos desesperando para segurar o boy.
Nunca se sabe o que vai na cabeça do outro enquanto você tenta mostrar seu melhor lado para conquistá-lo e tratando-se do desconhecido, a gente quase sempre termina agindo de acordo com o que a psicologia chama de ‘senso comum’ ou o que eu chamo de ‘seu histórico’. É simples: você vai agir com o boy de acordo com suas experiências anteriores e aí que mora o perigo, porque se seu histórico não for muito bom as chances de agir como um ET chegando a Terra são grandes.

Ao que tudo indica, querer desesperadamente namorar, exala algum tipo de feromônio que faz TODOS os boys correrem mais do que as fans da Madonna quando abrem os portões da pista premium do show e não vai pensando que é correr PRA você não, é correr DE você.
Logo, não adianta apelar pra novena de Santa Cher, para não terminar velho, sozinho e rodeado de 15 gatos. O melhor a se fazer ainda é tornar-se exatamente o que você gostaria de achar. Isso mesmo, vire o boy magia que você tanto procura. Pode parecer papo de livro de auto-ajuda, mas é a mais pura verdade: leve-se para sair, cuide de você, aproveite cada segundo de ser quem é porque não querer um namorado exala algo que acaba atraindo mais boys do que se pode imaginar.
No final das contas, estar solteiro te dá intensidade, faz você se valorizar, te dá ‘n’ possibilidades de conhecer quem você realmente é e de amar a única pessoa que não te abandonará: você mesmo, porque não importa quão duradouros seus relacionamentos possam ser, nenhum será maior que o que você tem consigo mesmo e investir neste relacionamento nada mais é do que puro empreendedorismo sentimental.