domingo, 30 de março de 2014

Lolita


Não é de hoje que assumo minha atração por pessoas mais velhas. Quando solteiro, eu e uma amiga, tínhamos uma piada interna que dizia: "Olhos claros, português correto de doer e passou dos 30? Alta chance de me pegar." Depois de ser chamado de 'moço' por uma criança no metrô na maior sonoridade de 'tio' e do Latinha ter postado aqui  sobre o Tio da Sukita, eis que eu crio vergonha na cara para escrever sobre eles: os Trintões.  
É inegável que o que falta em qualquer cara de vinte de poucos sobra nos de trinta e poucos. Sobra lábia, carisma, segurança, maturidade, papo e principalmente charme. Porque ele pode não ser lindo de morrer e talvez estar em franca perda daquele metabolismo rápido dos vinte, mas o charme, ah, esse permanece intacto.  
Ele não vai te mandar um sms chamando pra sair, irá te ligar e chamar diretamente. Ele talvez não tenha o pique para baladas que você tem, mas certeza que não faltará conhecimento dos restaurantes e melhores bares da cidade. E nada de cinema e fast food com ele. Ele te levará aquele restaurante que você sempre quis ir e nunca foi com os amigos porque era muito 'programa a dois' e ainda te fará se perder na conversa enquanto bebe algo bem preparado, para só depois de alimentado e levemente alegre, te jogar na maior armadilha para nós de vinte e poucos: o sexo. 
Porque tão marcante quanto o charme dos trintões, é seu desempenho na cama. Não precisa dizer o que fazer. Não precisa de sexo de adaptação. Não precisa de manual. Ele vai direto ao ponto e você provavelmente vai sair da casa dele, ou ele da sua, sentindo os dedos formigarem após orgasmos dignos de replay.
O "X" da questão de misturar datas de nascimento tão distantes, não é serem de gerações diferentes, mas sim o "X" de qualquer questão afetiva: a zona de conforto. Independentemente da idade, a gente sempre se liga mais em quem nos tira de nossa zona de conforto e se você não consegue tirá-lo, meus pêsames, ele poderá não falar diretamente, mas por baixo daquela segurança polida e de todo charme está quem detém todo o controle da relação e se há controle, não é de verdade.
Porque não há controles quando algo é de verdade, só trocas. Pode até ser uma troca de juventude por experiência ou qualquer outra, sempre há uma exceção. Clichê, porém real. No fundo, Lolita era tão culpada por sua desgraça quanto Humbert Humbert era ciente das malícias de sua amada menina e ainda assim se consumiram até as cinzas...

Aquele dos 24


17 de janeiro foi a data do meu último post. Novamente ando desleixado com meus escritos. Na verdade os últimos nem chegaram a ir parar num papel ou aqui. Foi-se o tempo em que escrevi rascunhos. Recentemente, alguns pensamentos nascem e vão parar no canto da minha cabeça, esperando coragem ou tempo hábil para elaborar, entender e quem sabe virar post. 

Talvez seja coisa da idade. Engraçado mesmo é eu, que não me importo com idade, me pegar colocando a culpa nela pra algo que eu tenho negligenciado. Tudo balela. É que dia desses, uma criança me chamou de 'moço' no metrô e depois, olhando pro meu RG pensei "Caraca, 24 anos em maio e ainda sinto como se ontem tivesse feito 18 ontem." 

Não que isso não seja verdade. Fiz 18 ontem, mas é que as vezes você vai vivendo, plantando coisas pra depois colher, esperando resultados, esperando mudanças, vai gastando sola de sapatos indo atrás do que se quer e simplesmente não repara que, poxa vida, quanto tempo passou. 

Tempo e suas questões de relatividade, sempre me pegando de guarda baixa. Reparem: para um adolescente, já vivi um tantão, para um balsaquiano, estou só começando. É como se os 24/25, fossem a pré-adolescência da 'maturidade'. Como quando tínhamos 13 anos e não conseguíamos achar a roupa que nos servisse, porque já éramos grandes para o departamento infantil e pequenos para o adulto. 

E de novo a relatividade: se uma parte de mim diz que tudo só começou, por que a outra grita que acabou a brincadeira?