quarta-feira, 23 de abril de 2014

Entrevistas & Expectativas

Recentemente fui à uma entrevista de emprego. Dentro da minha 'nova área' de estudos, já que larguei a fisioterapia no começo do ano passado. Então, nada mais justo que mergulhar de cabeça no novo e procurar outro trabalho. Pois bem, estou há três bons meses, fazendo entrevistas, levando um não aqui e acolá, recusando propostas por serem distantes ou não serem exatamente o que eu quero. 

Semana passada, na maior falta de pretensão, fui fazer entrevista numa consultoria de RH, a vaga: em uma multinacional. Eu era o mais velho na sala de espera, fiz todo o processo encarando com o maior bom humor do mundo e qual minha surpresa quando me ligaram chamando pra uma entrevista direta com o gestor e o gerente diretos na empresa. 

Coloquei minha melhor cara de bom moço e lá fui eu. A empresa: fácil acesso. As instalações: super me agradaram. Eu estava tão a vontade na sala de espera que peguei o jornal do dia e comecei a ler as noticias sobre o SPFW, quando, entre uma reportagem e outra vejo uma bíblia aberta fazendo parte central da decoração da sala. Meu primeiro pensamento: phodeu! 

Entrevistadores chegam: o gerente direto e o coordenador da área. Ambos nitidamente héteros, meio brucutus e o coordenador jovem, com aquela típica pose de ave de rapina que jovens empresários adquirem por se acharem visionários no que fazem. 

E eu: TRAVO! A entrevista foi estranha, mais ouvi do que falei. Eles explicaram as coisas do cargo e alegaram ter mais quatro rapazes por entrevistar (fui o primeiro) e ao sair daquela sala de reuniões caiu-me a ficha: eu QUERIA trabalhar ali. Eu me via trabalhando ali. O salário era bom, os benefícios idem e as perspectivas de crescimento também! 

Então voltei pra casa, revoltado comigo mesmo, com o prazo de até 5 dias úteis para resposta, com uma vontade doida de ter passado e a mágoa de ter criado justo o que eu não deveria criar: expectativas...

Nota do autor: Ainda não entendi bem o motivo de eu ter travado e me recuso a crer que tenha sido pela bíblia ou a pose de 'ht phodão' do entrevistador. Isso nunca me abalou, creio que não seja agora que irá e também nunca me senti menor ou em desvantagem por ser gay. Homofobia interna passa bem longe de mim, pelo contrário, me permito e muito rir e aproveitar as dores e delícias de ser quem e como sou. Eu, obviamente, não passei na entrevista; só passei mesmo dois dias deprimido e com a sensação de não ser bom o suficiente. Coisas da vida...